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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Escândalo: "missa jovem"

Prezados amigos,

Salve Maria!

Vejam o vídeo estarrecedor abaixo.

O santo Cura D’Ars, São João Maria Vianney dizia que “Os cristãos que entram num baile deixam o seu Anjo da Guarda na porta, e é um demônio que o substitui; portanto, logo passa a haver na sala tantos demônios quantos dançarinos.”.

Infelizmente não precisamos mais ir para bailes para que o nosso anjo da guarda se separe de nós e que os demônios nos assaltem.
Vejam o vídeo, leia a frase acima do Santo e tirem suas conclusões...

“Sofrermos com paciência as injúrias que nos atingem é digno de louvor, mas é excesso de impiedade tolerar pacientemente as injúrias feitas contra Deus” (São Tomás de Aquino, Suma Teológica 2a. 2ae., q. 136, a
. 4, ad. 3)

Alguém sabe dizer qual é a diocese desta Paróquia?


quarta-feira, 27 de junho de 2012

A volta do comentarista anônimo...

Prezados amigos,

Salve Maria!

Mais uma vez, o nosso leitor comentarista anônimo deu as caras por aqui.

Desta fez, para defender a indefensível RC”c”.

Ele apenas deixa um link na postagem “Refutando comentário de leitor anônimo”.

Eis a resposta que deixamos para ele:

Prezado anônimo,

Salve Maria!

Já que o senhor insiste em comentar neste blog sem se identificar, poderíamos simplesmente não respondê-lo, mas pelo bem das almas e POR AMOR AO DEBATE, faremos assim mesmo.

O senhor coloca um link sobre sobre a aceitação do Papa Bento XVI à indigesta Deformação CariAsmática Caótica, entretanto, sabemos que, sobretudo, os últimos papas, cardeais e etc, apóiam qualquer coisa que encham as igrejas.

De um tudo enquanto há, é apoiado pela hierarquia da Igreja, contanto que os templos fiquem lotados. Contraditoriamente dizem que “João Paulo II era o papa que esvaziava as Igrejas e enchia as praças”.

Vamos enumerar algumas práticas que vários papas apoiaram que, não é lá essas coisas de catolicidade, como no caso, a famigerada deformação cariAsmática:

É sabido que foi o Papa João Paulo II quem criou e o Papa Bento XVI apoiou e promoveu os encontros escandalosos, blasfemos, malfadados em Assis. Leia mais aqui  e aqui;

É sabido que o Cardeal Patriarca de Lisboa, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Policarpo não tem grandes problemas com a maçonaria, é a favor da ordenação de mulheres como sacerdotisas,

Aqui no Brasil, em Montes Claros/MG, também tem Bispos que não tem grandes problemas com a maçonaria;



Papa João Paulo II abençoando o
Padre Marcial Maciel


Papa Bento XVI numa "igreja" luterana


Papa João Paulo II beijando o Alcorão



Cansamos de enumerar tantas estranhezas ao Catolicismo Romano!!

Da próxima vez que aparecer no blog, deixe o nome. Se quiser estabelecer um diálogo, seja honesto, deixe o [verdadeiro] nome!!

Ad Iesum per Mariam!

sábado, 23 de junho de 2012

Refutando comentário de um leitor anônimo

Prezados amigos,

Salve Maria!

Recebemos hoje este comentário no nosso blog na postagem: “Nota de esclarecimento – Missa Tridentina em Betim” e gostaríamos de publicá-lo e respondê-lo:

“Deve se respeito aos sacedotes, pessoas designadas por Deus. Vejo com carinho e respeito a missa tridentina, mas não acho correto a maneira imposta por esse blog. Deve-se analisar varios aspectos e discussões propostas pelo mesmo. Vejo o ataque ao clero, ao concillium vaticano II, ao Beato João Paulo II, a RCC (renoação carismatica CATOLICA ) como praticas "protestantes". Vejo que é preciso escutar a voz do Senhor respeitando os demais. obrigado que a Virgem Imaculada intercedam por vocês abraços fraternos. Anônimo.”

Resposta:
Prezado anônimo,

Salve Maria!

Antes de qualquer coisa, seria bom que revelasse a sua identidade a fim de mantermos um mínimo de diálogo, visto que não se dialoga no anonimato.  O seu comentário para nós não vale nem estas linhas que escrevemos porque ele é apócrifo, mas, por amor ao debate, responderemos assim mesmo:
Você diz: “Deve se respeito aos sacedotes, pessoas designadas por Deus.”
Nós respeitamos a todos os sacerdotes por sua dignidade sacerdotal, pelo sacramento da ordem recebido e porque vemos nele um alter Christus. Entretanto, diz São Francisco de Sales, é uma questão de caridade para com as ovelhas dizer: “eis o lobo” quando ele está dentre o rebanho.

Você diz: “Vejo com carinho e respeito a missa tridentina, mas não acho correto a maneira imposta por esse blog”.
Antes de qualquer coisa, nós não vemos com carinho a missa tridentina. Nós a queremos que ela sempre foi o Sol da Igreja, foi a Missa que santificou toda a cristandade, é a forma de adoração a Deus mais perfeita que existe, exprime o caráter sacrificial de Cristo e toda catolicidade. Queremos a missa tridentina por outros “n” motivos e não porque a vemos com carinho. Depois, este blog não impõe nada a ninguém. Lê quem quer, visita quem quer.

Você diz: “Vejo o ataque ao clero, ao concillium vaticano II, ao Beato João Paulo II, a RCC (renoação carismatica CATOLICA ) como praticas "protestantes"”
Não atacamos o clero. É justamente o contrário. Nós somos atacados por ele. Conheça mais a nossa realidade, depois, aceitaremos de bom grado os seus comentários. Não atacamos o Concílio Vaticano II, apenas mostramos àqueles que querem ver, as atrocidades que este concílio fez e faz na Igreja como um todo. O pior cego e aquele que não quer ver, sobretudo quando as coisas estão debaixo do seu nariz. Da mesma forma, não atacamos o Papa João Paulo II. Gostaríamos que nos mostrasse quando foi que o atacamos ou mesmo quando negamos a sua autoridade apostólica.

Agora, dizer que a RC”c” é católica, ai senhor anônimo, o senhor pegou pesado. Basta ver 5 minutos das suas práticas que logo notaremos que não se trata de um “movimento católico”. Não é nem preciso estudar sobre a sua fundação ou como se desenvolveram: 5 minutos de convivência carismática basta para detectarmos que a RC”c” não é nada católica.

Enfim, o respeito passa pela caridade. É uma questão de caridade fazer o que fazemos e continuaremos a fazer “quer agrade, quer desagrade” (II Tim. IV, 2).

Você diz: “Vejo que é preciso escutar a voz do Senhor respeitando os demais. obrigado que a Virgem Imaculada intercedam por vocês abraços fraternos”
Ficamos agradecidos pelas orações e recomendações à Virgem. Reze também pelo clero local. Eles estão precisados...

Ad Iesum per Mariam!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quem é a RC"c" de verdade? Como nasceu e quem fundou?

Uma ilusão perigosa


  
A Renovação Carismática Católica parece ser a última esperança dos Bispos para encher as suas igrejas. Será realmente a solução correta?
Todos os promotores do movimento carismático que se autodenomina católico fazem alarde, com complacência, dos efeitos do “batismo do Espírito”, como o Pe. Caffarel em Deve-se falar de um pentecostismo católico?. Falam de muitos assuntos: o incremento de vida divina e o descobrimento do Hóspede interior, uma oração viva e jubilosa; o amor à Sagrada Escritura; o apego à Igreja; o impulso missionário; uma experiência de liberação (no plano físico, moral, psicológico) e, por último, os carismas: profecia, discernimento dos espíritos, poder de curas, falar em línguas, dom de interpretar... Em poucas palavras: tudo de que se precisa para renovar a paz na terra! E justamente porque provoca estes efeitos maravilhosos de ardor religioso, a renovação carismática apresenta um atrativo fora do comum, uma vez que a atração do extraordinário é mais forte do que todas. De fato, que sacerdote, que católico militante não deseja que seu apostolado seja eficaz? Que discípulo de Cristo não deseja ardor ao rezar, ao ler a Sagrada Escritura, ao praticar a caridade? Que cristão não deseja “sentir” o amor de Deus, sua inefável presença, sua ação benéfica? Que católico não se cansa de viver na “nudez” da fé, na “negrura” da esperança (sperare contra spem), num mundo cada vez mais deserto, no qual os medos, os compromissos, as traições asfixiam cada vez mais a Verdade, natural ou sobrenatural, e onde a caridade é muitas vezes nada mais que filantropia sem fogo divino e sem chama?
A “fé” carismática é feita de intuição, de sentimento, de experiência interior. É uma “fé” imanente e subjetiva. Não se trata de “saber” para crer, mas de “sentir” para crer. A alma toma o caminho da sensibilidade, e é aí onde o demônio está na espreita.

Suas origens
 Tudo começou com a participação de alguns católicos em assembléias de pentecostistas protestantes e com a recepção do “batismo do Espírito” por obra dos pentecostistas.
Em 13 de janeiro de 1967, “dia da oitava da Epifania, consagrado pela liturgia católica à celebração do batismo de Jesus por meio do Espírito Santo no Jordão, ... eles [os fundadores do pentecostismo] encontravam-se na casa de Miss Florence Dodge, uma presbiteriana que havia organizado um grupo de oração há algum tempo. O grupo reunia-se em sua casa com regularidade e ela habitualmente dirigia essas reuniões” (Le Retour de l’Esprit, p. 22, ed. du Cerf, Paris – livro dos Ranaghan, que figuraram entre os primeiros “pentecostistas católicos” e também entre os primeiros em escrever sobre o movimento carismático). Mais tarde, três professores de Pittsburg e a esposa de um deles assistiram uma primeira reunião carismática: “Deixou-nos uma impressão duradoura, diz um deles, de que ali operava o Espírito [?]” (Ibidem, p. 23).
Dois dos professores (Ralph Keifer e Patrick Bourgeois) assistem à reunião seguinte: “terminou – diz Ralph Keifer – quando Pat [Patrick Bourgeois] e eu pedimos que rezassem conosco a fim de recebermos o batismo do Espírito.
Eles se dividiram em vários grupos, porque rezavam por várias pessoas. Só me pediram que fizesse um ato de fé para que o poder do Espírito operasse em mim. Logo rezei em línguas” (Ib., p. 23). “Na semana seguinte – acrescentam os Ranaghan -, Ralph [Keifer] impôs as mãos aos outros dois [ou seja, ao outro professor de Pittsburg e à esposa de um deles] e também eles receberam o batismo do Espírito” (Ib., p. 24). O processo está a caminho: o iniciado torna-se iniciador e transmite o “influxo espiritual”. Todo o chamado pentecostismo ‘católico’ se encontra em germe nesses textos do livro dos Ranaghan. Prosseguindo sua leitura, vemos como a “corrente” passa de um dos promotores aos recém-chegados: “Um casal de noivos ... tinha ouvido falar do “batismo do Espírito Santo” e desejava recebê-lo. Aproximaram-se então de Ralph Keifer [um dos fundadores do pentecostismo “católico”] e pediram-lhe que rezassem com eles para que o Espírito Santo se fizesse plenamente em sua vida... Foram profundamente tocados pelo Espírito de Cristo. O Espírito manifestou-se muito rápido com o dom das línguas e aquele jovem e aquela senhorita louvaram a Deus” (Ib., p. 29). E tudo não acaba aqui: “Mas eles sabiam que, ao mesmo tempo, uma das jovens [membro do grupo pentecostista] ... tinha sido atraída para a capela e que ali tinha sentido a presença quase tangível do Espírito de Cristo. Saiu tremendo da capela e chamou os outros para que regressassem até ali. Os membros do grupo, sozinhos ou em dupla, dirigiram-se para lá e, enquanto estavam todos unidos em oração, o Espírito Santo se fez derramar sobre eles” (pp. 29-30). Salta à vista que essa espécie de “Espírito” sopra muito e “pneumatiza” todo aquele que se entrega a sua ação transbordante de favores carismáticos! Em poucas palavras: a corrente carismática passou do protestantismo herético e iniciático aos supostos católicos, provocando “efeitos maravilhosos” de ardor religioso que não podem ser explicados por uma causa sobrenatural, porque o Senhor não pode de maneira alguma participar de uma experiência feita por católicos desobedientes à Igreja, em um ambiente herético e com uma iniciação, um rito, abertamente acatólico.

A iluminação iniciática
 O pentecostismo carismático parte de um fenômeno que, segundo parece, quer se fazer passar por uma obra do Espírito Santo; tal fenômeno consiste em uma iluminação iniciática.
A iluminação iniciática constitui o umbral das sociedades secretas, congregações iniciáticas, etc. No movimento carismático, essa iluminação “precipita” a alma num universo que já não é o da fé católica, e sim outro universo. Para se chegar à iluminação iniciática, requer-se uma escolha, uma decisão. No movimento carismático, tal escolha consiste em receber o famoso “batismo do Espírito”. Nota-se que a iluminação iniciática não é algo que se aprenda, mas uma “impressão” que se recebe e que não se pode explicar.
No movimento carismático, nada, absolutamente nada, pode verificar-se sem um membro “iniciador”, que já tenha recebido o “batismo do Espírito” (ou seja, a “iniciação carismática”) e que, por si só, tenha-se tornado capaz de transmitir o “influxo espiritual” responsável pela impressão iniciática. Isso constitui um elemento capital no movimento carismático, elemento que também permite distinguir o Sacramento da Confirmação conferido no seio da Igreja Católica do mencionado “sacramento carismático”, pois somente um bispo pode conferir o Sacramento da Confirmação (ou um sacerdote delegado por ele), e ele não pode transmitir seu poder a seus sacerdotes e muito menos aos leigos. No movimento carismático, ao contrário, o iniciado transmite, através da iniciação, seu próprio poder de “iniciar”. Além disso – coisa estranha – um Cardeal pode receber a iniciação carismática das mãos de um menino dotado de “poderes espirituais” dos quais careceria o príncipe da Igreja. Basta que este menino tenha recebido o “sacramento” iniciático do “batismo do Espírito”. Tendo em vista a natureza hierárquica da Igreja, isso é simplesmente uma aberração!
Assim, os grupos carismáticos podem multiplicar-se até o infinito: basta que tenham um “iniciado”, seja padre, religioso ou leigo, homem ou mulher, velho, adulto ou criança. Isso não importa.

A iluminação iniciática exige um rito
 Outro ponto capital é o da necessidade de um rito para realizar a iluminação iniciática.
O movimento carismático é a história de um influxo “espiritual” (alheio à fé católica) transmitido por um “iniciado” mediante um rito que serve de veículo: o “batismo do Espírito” com a imposição das mãos. Rito que os católicos foram buscar entre os pentecostistas protestantes! O movimento carismático não é nada, absolutamente nada, sem esse rito, quer dizer, sem a transmissão de um influxo “espiritual” destinado a produzir uma impressão ou uma iluminação iniciática.

A questão capital: de que natureza é esse influxo iniciático?
 Nesse ponto arma-se a pergunta importante: qual é a verdadeira natureza desse influxo iniciático?
Basta ler o testemunho das vítimas da renovação carismática para compreender que o “Espírito” que dá sua força preternatural ao influxo iniciático produz efeitos absolutamente extraordinários pelo seu número, gênero, rapidez, intensidade.
Será um influxo de ordem preternatural, diabólico? É possível. Mas, uma vez que o demônio se sobressai na arte de disfarçar-se em anjo de luz, o que importa é distinguir os influxos. Que anjos intervêm na iniciação? Os bons concorrem somente para preparar a iluminação da fé e têm sempre a maior discrição. Mas os anjos maus podem alimentar qualquer tipo de ilusão e torná-la sedutora, acompanhando-a até de prodígios nos homens que se entregam à sua ação.
A iluminação carismática não pode ter uma origem divina no movimento carismático, porque sua fonte não é a da fé católica.

A doutrina católica dá o remédio contra a sedução diabólica
 Visto que o mal contido na iluminação iniciática não é manifesto, as almas não se questionam se tudo está bem ou mal, e caem facilmente na rede infernal sem sabê-lo. Para livrá-las de sua cegueira, seria mister fazer o discernimento dos espíritos, o único meio que permite realmente ver uma inspiração diabólica ali onde se crê ver uma inspiração divina.
Deus, de fato, não se pode deixar roubar o Sacramento da Confirmação por uma caricatura simiesca totalmente alheia à fé católica. Deus, na verdade, é dono de seus dons e pode dar os que quiser, a quem quiser e quando quiser. Mas o católico não deve “tentar” o Senhor (Mt 4,7), diferente do que o pentecostismo-renovação convida a fazer.
Por isso São Vicente Ferrer, assim como Santo Tomás e São João da Cruz, põe as almas de sobreaviso contra a “sugestão e ilusão do demônio, que engana o homem em suas relações com Deus e em tudo o que se refere a Deus” (A vida Espiritual). Ele dá o remédio contra as tentações espirituais suscitadas pelo diabo: “Os que queiram viver na vontade de Deus não devem desejar obter [...] sentimentos sobrenaturais superiores ao estado ordinário daqueles que têm um temor e um amor a Deus muito sinceros. Tal desejo, de fato, só pode vir de um fundo de orgulho e de presunção de uma vã curiosidade em relação a Deus e de uma fé demasiado frágil. A graça de Deus abandona o homem que está preso a este desejo e o deixa à mercê de suas próprias ilusões e das tentações do diabo que o seduz com revelações e visões enganosas” (Ibidem). E também: “Fugi da companhia e da familiaridade daqueles que semeiam e difundem essas tentações e daqueles que a defendem e louvam. Não escuteis seus relatos nem suas explicações. Não procureis ver o que fazem porque o demônio não deixaria de vos fazer ver em suas palavras e obras, sinais de perfeição aos quais vós poderíeis prestar fé e assim cair e vos perder junto com eles” (Ib.). Acrescentamos as palavras de Santo Inácio, “expert” no discernimento dos espíritos: “É próprio do anjo mal, transfigurado em anjo de luz, começar com os sentimentos da alma devota e terminar com os próprios”.
Desde o momento em que a alma cruza o umbral do universo carismático (universo oculto) pode acontecer de tudo. Tudo começa com dons inefáveis: entusiasmo e ardor fervoroso, liberação dos complexos, dos vícios, dom de profecia, de cura, de glossolalia (ou xenoglossia: falar em língua estrangeira desconhecida), etc...
Impossível não se lembrar dessas palavras do Evangelho: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome, e em teu nome expulsamos os demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que operais iniqüidades (Mt 7 – 22, 23).

A “Igreja do amor” ou o homem no lugar de Deus
 No livro de Huysmans intitulado Là bas, há uma passagem particularmente importante que evoca a igreja carismática de João (contraposta à Igreja hierárquica de Pedro), que florescerá com a vinda do Paráclito e que se chama a “igreja do amor” (em sintonia com a “civilização do amor” de Paulo VI), a “igreja da reconciliação”, a “igreja ecumênica” ou “universal” (em virtude de seu carismatismo): “É um axioma teológico que o espírito de Pedro vive em seus sucessores. Viverá neles, até a expansão auspiciada do Espírito Santo. Então João, – diz o Evangelho – começará seu ministério de amor e viverá na alma dos novos Papas”. Esse texto mostra claramente o laço esotérico que liga a “expansão do Espírito Santo” (conduzido pela “renovação carismática”) e o “ministério de amor” de João. O autor esotérico Salémi enunciava em 1960: “O novo evangelho de João logo será pregado em toda a Terra” (Le message de l’ Apocalypse, p. 293).
Estamos no tempo desse “novo evangelho”: “Invoca-se o Apóstolo S. João – escreve Pierre Virion -, discípulo do amor, contra a autoridade de Pedro. É a velha teoria Rosa-Cruz, que profetiza a igreja esotérica [iniciática] de João, superior à igreja exotérica [não iniciática] de Pedro, e cujos tempos apocalípticos parecem ter chegado. A Igreja Romana deve ceder-lhe o posto, deve desaparecer tal como é: ‘Abriu-se ... o ciclo de João’” (Mystère d’iniquité, p. 146).
Surge então a pergunta: que significa essa “igreja de João”, a igreja da terceira hora, a igreja da hora do Espírito Santo? A igreja de João já não é Deus em primeiro lugar, mas o homem; não a transcendência, mas a imanência; não a fé, mas o gosto sensível, o prodigioso, os carismas (democraticamente assegurados a todos, graças ao “batismo do Espírito”); não o dogma, mas a “revelação interior”, o subjetivismo, o profetismo, o iluminismo; não o sacramento instituído por Cristo, mas outra espécie de “sacramento” enxertado em uma corrente oculta (assim é o “batismo do Espírito”: uma paródia de sacramento com efusão da “graça diabólica” através de um rito herético); não a Eucaristia-Sacrifício (daqui vem a fúria contra o rito chamado de S. Pio V), mas a eucaristia-festa; não o sacerdócio ministerial, mas o caráter sacerdotal de todo fiel (1); não a igreja hierárquica e carismática ao mesmo tempo, mas uma igreja meramente carismática; não o Papa, mas um sínodo paralisador; não os bispos, mas uma colegialidade sufocante; não os párocos, mas as assembléias presbiteriais; não a hierarquia oficial, mas as comissões, comitês, etc., etc., constitutivos de um governo paralelo; não a Igreja Católica Romana, mas uma igreja universal que inclui todos os cultos tributados a qualquer divindade. Em conclusão: o que René Guénon chamaria de “igreja integral”. E esta “igreja integral”, cujo objetivo é destruir por asfixia a igreja hierárquica tradicional, a igreja de Pedro, deve ser o fruto da vinda do Espírito (os Ranaghan diziam: do “retorno” do Espírito), porque é o “Pentecostes” deste “Espírito” que permitirá a João exercer seu “ministério de amor”!
Compreendemos agora porque em nossos dias fala-se tanto de amor: “Enganar-se-á o povo em nome do amor, de um amor que não é a caridade teologal, mas cujo nome usurpa. Assim, nunca tínhamos lido tanto nas publicações maçônicas a frase: ‘Amai-vos uns aos outros’. Mas é sempre empregada, em nome de Cristo, contra sua Igreja” (Mystère d’Iniquité, cit., p. 146).

Que fazer?
 Que fazer diante desta cegueira causada pela invasão carismática, caricatura diabólica do Sacramento da Confirmação, chamada de “batismo” com razão, porque marca a passagem do mundo católico ao mundo oculto? São João da Cruz dizia: “[Uma vez cegada a alma] poder-se-á enganar quanto à quantidade ou qualidade, pensando que o que é pouco é muito, e o que é muito, pouco; e quanto à qualidade, considerando o que está em sua imaginação como uma coisa, quando não é senão outra coisa, trocando, como diz Isaías, as trevas pela luz e a luz por trevas, e o amargo por doce e o doce por amargo (5, 20)” (Subida do Monte Carmelo, L. 3, cap. 8).
Hoje, mais do que nunca, é necessário insistir no que constitui a verdadeira vida de fé. Continuemos ouvindo S. João da Cruz: “ (...) e assim, estando a alma vestida de fé, o demônio não a perturba, porque com a fé ela está muito amparada – mais do que com todas as demais virtudes – contra o demônio, que é o mais forte e astuto inimigo.
Por isso S. Pedro não encontrou maior amparo do que a fé para livrar-se do demônio quando disse: Cui resistite fortes in fide (2) (I Petr 5,9). E para conseguir a graça e a união com o amado, a alma não pode ter melhor túnica e vestimenta interior, como fundamento e princípio das demais virtudes, que esta brancura da fé, porque sem ela, como diz o Apóstolo, é impossível agradar a Deus (Hebr 11,6), e com ela é impossível também deixar de agradar, pois Ele mesmo diz pelo profeta Oséias: Desponsabo te mihi in fide (Os 2,20), que quer dizer: “Se queres, alma, unir-se a mim e me desposar, deverás vir interiormente vestida de fé” (Noite passiva do espírito, cap. 21).
Recorramos à Santíssima Virgem para que esmague a cabeça daquele que se faz passar pelo Espírito Santo e quer fazer-se adorado em seu lugar. Recitemos por isso o Santo Rosário com todo o ardor de nossa fé, inimiga da “sensibilidade carismática”.

PS: Em nossa edição portuguesa, fizemos um resumo do texto original, modificando também um pouco a ordem do mesmo e alguns títulos e fazendo alguns pequenos acréscimos.
 Tomado de Sim Sim Não Não, edição brasileira.

(1) Assim testemunha um pentecostista: “Os católicos sabem agora que pode-se receber o batismo do Espírito Santo sem a imposição das mãos por parte dos bispos ou sacerdotes, porque podem ir diretamente a Jesus [como os protestantes]. De minha parte, descobri com muita surpresa que os católicos se alegram por já não dependerem completamente dos sacerdotes” (citado por Lumière, julho de 1975). Também um padre católico carismático testemunha: “Começamos a realizar o sacerdócio de todos os fiéis” (Ibidem).
(2) Ao qual resisti fortes na fé.


Fonte: FSSPX e Editora Permanência

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Uma pedra no sapato da RC"c"



É a última espetacular novidade religiosa que se espalha com grande sucesso no mundo inteiro. Num recorte recente de "Le Monde" lemos a notícia desse movimento cujo sucesso se contrapõe, na pena de Henri Fesquet, "ao declínio das grandes Igrejas" mais ou menos institucionalizadas. Esse movimento de origem protestante, nascido antes do século, cresceu agora rapidamente. O número de "Assembléias de Deus" que era de 264 em 1963 ultrapassa o número de 400 em 1972. Calcula-se em dez milhões o número de praticantes no mundo inteiro", diz "Le Monde"; e como era de esperar anuncia que o movimento já entusiasmou o mundo católico onde ganha o nome de "renovação carismática" e até reclama o mais ousado título de "novo pentecostes".
   
Em Junho reuniu-se na Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos, um "congresso de renovação carismática" com o comparecimento de 25.000 participantes entre os quais figuravam muitos padres, Bispos, e o Cardeal Suhenens, Primaz da Bélgica.
   
Que dizem de si mesmos esses católicos empenhados em tal movimento? Várias publicações, entre as quais destaco a do jovem casal americano Kevin e Dorothy Ranaghan, num livro traduzido em francês com o título "Le Retour de l'Esprit", apresentam o movimento pura e simplesmente como uma descontinuidade explosiva surgida na História do Cristianismo e produzida, nem mais nem menos, por uma nova descida do Espírito Santo sobre os milhares de adeptos que recebem, por imposição das mãos de outros, o "batismo do Espírito" e subitamente se convertem, mudam de vida, passam da mais profunda depressão à mais jubilosa exaltação, e começam a "falar em línguas", como os cristãos da Igreja nascente, e como os apóstolos no dia de Pentecostes (At 2, 1)
  
Uma as características do estado de espírito produzido nas assembléias carismáticas é a predominância da exteriorização sobre a interiorização, e a marcada emotividade que leva os adeptos a sentirem a presença do Espírito Santo, e a declararem essa convicção com uma espontaneidade — cada um contando sua experiência própria — que se liberta de qualquer compromisso de submissão à aprovação da Igreja.
  
Até aqui o nosso espanto não foi excessivo porque este fim de século e o mundo católico dito "progressista" já nos saturaram de extravagâncias, e já nos embotaram a manifestação do espanto. A nossa preocupação começou a ganhar dimensões de alarme quando vimos que o prudente hebdomadário "L'Homme Nouveau", dirigido por Marcel Clement, enviou 7 representantes ao Congresso de "renovação carismática" na Universidade Notre Dame, e que o próprio Marcel Clement, no seu editorial de 1o. de Julho, não hesita em falar de "novo Pentecostes" e de fazer este estranho pronunciamento:
   
"É uma realidade de Igreja. Equilibrada, serena, poderosa. Não se trata de misticismo exaltado. É verdadeiramente o Espírito Santo que os invade e os faz caminhar muito depressa até à única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo."
   
A nós nos parece que depressa demais pronunciou-se o Prof. Marcel Clement, como também nos parece incompreensível que se diga "cheminement très vite jusqu'à la seule et veritable Église de Jesus Christ" de pessoas já nela inseridas pelos sacramentos.
  
Prevemos o caminho de uma luta mais difícil do que as outras que até agora tivemos de enfrentar porque todos terão pressa excessiva de marcar pontos positivos num movimento em que os rapazes e as moças só dizem que querem rezar em "comunidade carismática", porque receberam do próprio Espírito Santo, num novo Pentecostes, dons maravilhosos que os tiraram dos mais profundos abismos e os elevam à mais pura alegria. Quem quererá cobrir-se do negrume de todas as antipatias para enfrentar tão maravilhosa transformação do mundo com um mínimo de reserva ou de exigência?
  
Para encaminhar adequadamente a questão, amigo leitor, começo por lhe lembrar alguns títulos que nos dão direitos a certas exigências. Somos um povo que há 2 mil anos segue a pista de um Deus flagelado; pertencemos à forte raça daqueles mártires que deram o sangue para testemunhar a verdadeira Religião e para resistir a todas as fraudes; descendemos também daqueles outros que silenciaram nos mosteiros os seus próprios sentimentos e as suas próprias emoções para deixar que só o Espírito de Deus falasse por eles. Pertencemos a um Povo ainda mais antigo que ouviu do próprio Deus o trovão de uma identidade absoluta:
  
"Eu sou aquele que sou", e o preceito da mais inquebrantável intolerância: "não terás outro deus diante de minha face".
  
Tudo isto, amigo leitor, nos inclina a uma profunda aversão por tudo que pareça equívoco, e que, em matéria de Religião, mais manifeste as turbulências da pobre alma humana torturada por um mundo encandecido do que as grandezas de Deus manifestas pelos Apóstolos no dia do único e verdadeiro Pentecostes.
  
Logo a seguir tentarei expor as razões que me levam a ver nesse movimento uma nova feição da "revolução" que quer por vários processos destruir a Igreja.
  
Aqui trago apenas os títulos que me dão o direito de exprimir tais reservas, e que me lembram o dever de as exprimir. Pecador e inútil servidor, pertenço todavia àquela raça exigente. Sou homem de Igreja que só quer nela viver e nela morrer.
  
Para comparar o movimento chamado "pentecostismo" com a Igreja de Jesus Cristo, comecemos por comparar a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, no dia de Pentecostes ao "novo pentecostes" que desce sobre cada um dos 25 mil membros do encontro realizado na Universidade Notre Dame (USA).
  
Há fenômenos semelhantes, como a "glossolalia" ou língua estranha falada pelos crentes do Cristianismo no primeiro século, pelos Apóstolos no dia de Pentecostes, e hoje pela multidão dos pentecostistas. Mas a semelhança termina quando ponderamos que Pentecostes foi, para a Igreja nascente, não uma explosão de manifestações espontâneas e multiplicadas, mas, ao contrário, um atingimento de maturidade e de esplendor de ordem. Foi mais uma cristalização eclesial do que uma explosão carismática. Diríamos até que esse grande dia da Confirmação da Igreja vinha pôr termo à anarquia ou à dispersão informe dos primeiros tempos. Assinalemos que, em Pentecostes, com a evidência das línguas de fogo, a descida do Espírito Santo se fazia sobre a Hierarquia para bem marcar o caráter da Igreja Católica. E as "línguas" que também os Apóstolos nesse dia falaram, usando o dom das línguas que S. Paulo não reprova mas não estimula? Ora, esse ponto de semelhança é na verdade um ponto de oposição porque, enquanto os "pentecostistas" de hoje falam línguas que ninguém entende, nem eles mesmos, os Apóstolos falavam uma "língua que todos os vários estrangeiros presentes ouviram e entenderam como a própria". Torna-se evidente que o Espírito Santo, nesse dia, usou o mesmo dom para exprimir a "unidade de língua" da Igreja e a sua destinação universal. Formalmente, essa "unidade de língua" significa "unidade de doutrina", mas também pode significar a real unidade de língua que a Igreja teria quando recebesse seu o cunho Romano e portanto latino.
  
Vê-se assim que o "novo pentecostes" é dispersador quando o verdadeiro Pentecostes foi congraçador; que o moderno fenômeno é anarquista onde o autêntico é ordenador e hierárquico; que o moderno fenômeno se traduz em manifestações emotivas diversas e mais ou menos chocantes, enquanto o verdadeiro Pentecostes se arremata por um discurso de Pedro que imprime ao mistério pentecostal todo o seu sentido de unidade eclesial. É especialmente digno de nota o arremate do discurso de Pedro e do capítulo II dos "Atos".
  
Vale a pena comparar esses textos sagrados com a narração de Irling Shelton, uma das representantes de "L'Homme Nouveau" no congresso de Notre Dame:
  
"A oração perde seu ritualismo, seu formalismo, sua rotina." (Por que rotina?) Sem rejeitar completamente a oração ritual (...) a tônica é posta na espontaneidade (...)  "a expressão dessa efusão anterior pode então se acompanhar de movimentos da sensibilidade. Cantam, riem, choram, batem as mãos, prosternam-se no chão ou elevam os braços (...) Essas manifestações incontroladas da emotividade podem degenerar em atitudes grotescas e até em histeria de grupo. Mas quando o líder (?) controla bem seu grupo de orações, e sua emotividade, as manifestações sensíveis da efusão do Espírito poderão aquecer os corações e servir de edificação para todos".
  
Chamo a atenção do leitor católico alfabetizado na boa doutrina para a sem-cerimônia com que a autora dessas linhas atribui tais efusões ao Espírito, em vez de atribuí-las à Carne que costuma opor às obras do Espírito esse tipo de exteriorização. Na sadia espiritualidade traçada na Igreja pelos santos doutores aprendemos que os dons do Espírito Santo são recebidos por todos desde o seu batismo, e sabemos também que a espontaneidade sobrenatural é o chamado "modo dos dons" que opera nas almas longamente trabalhadas, arduamente purgadas. Há uma espontaneidade animal, sensível que precede a maturidade e a espiritualização. Qualquer criança a possui. Mas a espontaneidade dos dons é uma longa conquista que só os grandes santos atingem através da noite dos sentidos e da subida do Carmelo.
  
Estas poucas considerações tecidas no plano da teologia mística servem para mostrar que não há nada mais diverso e distante da verdadeira espontaneidade dos santos do que essa dos novos carismáticos.
  
Essas e outras notas do movimento chamado "Pentecostismo" mostram, a quem conheça os rudimentos da sagrada doutrina, que se trata de mais uma subversão contra a Igreja, disfarçada na falsa sublimidade de manifestações temerariamente atribuídas ao Espírito Santo. Explicam-se talvez pela extrema miséria a que chegou esta infortunada geração condenada às oscilações vertiginosas que vão da mais profunda depressão à mais delirante exaltação. Dá pena. Sim, dá-nos uma imensa tristeza esse quadro — mais esse! — de uma geração que se precipita na degradação dos mais altos dons naturais e sobrenaturais com uma espécie de irresponsabilidade, de subinocência que nos leva à vertiginosa indagação sobre a origem desse mal. Quem será então o culpado do rapto de crianças? Quem serão os culpados da perversão de toda essa geração dos que já não sabem de que espírito são? Deverei procurar entranhas de misericórdia para não ver culpas nos erros e nas quedas? Não seriam antes entranhas de indiferença que de bondade?
  
Ah! Se pudéssemos deixar os "pentecostistas" fazerem a grande antepenúltima asneira do século! Se pudéssemos apenas suspirar e lamentar o misterioso consentimento divino! O dia correria mais doce e o crepúsculo da vida teria a suavidade das tardes em que o Céu e a Terra parecem festejar o feliz amadurecimento de um dia do mundo. Mas que contas prestaria eu a Quem me pôs esta pena na mão e esse papel estendido sobre a mesa?
 
(Gustavo Corção - Revista "Resistência", 15 de Janeiro de 1974)
Fonte: Editora Permanência