Mostrando postagens com marcador Romantismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Romantismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de março de 2012

Romantismo e Modernismo II

I -


A DOUTRINA DO MODERNISMO
Na encíclica Pascendi, São Pio X afirma que o Modernismo é a cloaca para onde confluíram todas as heresias. Diz ainda que essa heresia penetrou na Igreja de tal modo que, os inimigos dela já não deveriam ser buscados fora, mas dentro dela, especialmente nas fileiras do Clero.( Pascendi, n* 2).. E a esses Modernistas -- especialmente do Clero -- São Pio X chama de “os mais perigosos inimigos da Igreja”. (Pascendi, n*3).
 
O Papa demonstra que os Modernistas, para melhor ocultar sua ação deletéria, não apresentavam sua doutrina de modo sistemático, mas, “com astucioso engano” apresentam seu pensamento de modo não coordenado, um defendendo o Modernismo apenas no campo exegético (O Padre Alfred Loisy); outro, no terreno teológico (Padre Laberthonière, Padre Georges Tyrrell e Padre Ernesto Bonaiutti, o amigo do futuro João XXIII e que lançou o Manifesto dos Modernistas) ; outro no campo místico (o Barão Von Hügel); outro na Filosofia ( Maurice Blondel) ; outro numa Arqueologia e Antropologia “Gnóstico-Mística” ( Padre Teillhard de Chardin); outro na literatura (Antonio Fogazzarro); outros na política (Marc Sangnier, Padre Romolo Murri); outros enfim, no Vaticano, exercendo uma ação discreta mas decisiva, na política eclesiástica, protegendo os modernistas, ou mesmo defendendo suas idéias (como Della Chiesa, Gasparri, Radini Tedeschi, Roncalli, Montini, Bea, etc).


É claro que o espírito furta cor e camaleôntico do Modernismo não permite detectar -- por vezes -- claramente a heresia em muitos de seus defensores, tanto mais quando se sabe que eles, como lembrou São Pio X, muitas vezes negam numa página o que afirmam noutra (Cfr. Pascendi, n* 3).

O sistema Modernista, diz o Papa São Pio X, parte de uma posição agnóstica. Para eles a razão só pode estudar e examinar os fenômenos perceptíveis pelos sentidos e pela ciência. Daí afirmarem, inicialmente, que Deus e a Fé serem assuntos alheios à Ciência experimental moderna. Para os Modernistas então todas as provas da existência de Deus são elocubrações intelectualistas que nada comprovam. Eles rejeitam assim o que definiu o Concílio Vaticano I: que os católicos devem ter como demonstrável pela razão a existência de Deus. Como rejeitam o que diz São Paulo que ”após a criação as qualidades invisíveis de Deus se tornaram cognoscíveis através das coisas criadas” (Rom I 20). Deste modo, os Modernistas se inclinam para a Gnose, ao rejeitarem a analogia do ser: o mundo criado não
refletiria a Deus criador.( Pascendi, n*6).


Esse agnosticismo radical, do qual partiam os Modernistas, os levava a afirmar que a Ciência e a História tem que desconhecer o papel de Deus, já não seria possível provar sua existência. Ciência e História deveriam ser atéias ou agnósticas. Que é exatamente como se ensinam, hoje, História e Ciência. Entretanto, se conforme os Modernistas, não se podem conhecer senão os fenômenos, há que constatar que a religião é um fenômeno existente na História, e que se deve estudá-la apenas enquanto fenômeno histórico, comum a tantas civilizações e culturas.

A causa do fenômeno religioso -- visto que não se pode provar a existência de Deus -- deve ser buscada no próprio homem. A religião seria uma forma de vida que tem raiz na própria vida do homem. Daqui procede o que os modernistas chamam de Princípio de Imanência Religiosa.

Tal princípio manifestaria uma necessidade profunda do homem, que se exprime num movimento do coração, a um sentimento. Note-se: do coração e não da razão. O Modernismo -- como o Romantismo e toda a Gnose -- odeia a inteligência e a razão, colocando acima dela o coração e o sentimento. Como os Românticos, o Modernismo manifestará uma antipatia pelo intelecto e pela capacidade do homem conhecer a realidade.

Este sentimento do coração seria uma manifestação de uma necessidade da divindade que nasceria do subconsciente do homem. (Note-se aí uma influência direta do Freudismo, ele também negador da capacidade do conhecimento racional do homem.

Romantismo e Modernismo I



 

INTRODUÇÃO:
AS ORIGENS DO ROMANTISMO

É bem conhecida nos ambientes universitários mais desenvolvidos a relação entre Romantismo e a Gnose. Os trabalhos de Ernst Benz (Les Sources Mystiques de la Philosophie Romantique Allemande, Vrin,Paris 1968), de Auguste Viatte (Les Sources Occultes du Romantisme, Honoré Champion, Paris, 1979),de Albert Begin (L ‘Âme Romantique et le Rêve), G. Gusdorff (Le Romantisme, Payot , Paris, 1983-1993),entre outros, mostraram bem as fontes gnósticas esotéricas, e cabalistas do Romantismo através das obras místicas de Jacob Boehme.

Também é muito importante para conhecer as origens do Romantismo alemão estudar a obra de Antoine Faivre sobre o esoterismo na Alemanha no século XVIII (L´Ésotérisme en France et en Allemagne au XVIII ème siècle)


No Brasil, a coletânea de ensaios sobre o Romantismo elaborada por J. Guinsburg, -- O Romantismo (Perspectiva, São Paulo 1972), assim como as obras de Massaud Moisés são fontes excelentes para se conhecer o fundo religioso do Romantismo.

Examinando-se a questão pelo lado da Gnose, as obras de Simone de Pétrement, de Denis de Rougemont, e de muitos outros especialistas demonstram como o Romantismo é uma manifestação da Gnose antiga. Para um exame mais completo da bibliografia quer, do lado do Romantismo, quer do lado da Gnose, que se nos permita indicar a lista bibliográfica constante de nossa tese de Doutoramento sobre Romantismo, Cabala e Esoterismo, aprovada pela USP, em 1988. Em nossa tese, mostramos como o Romantismo foi formado por três veios; o pietismo nascido das doutrinas cabalistas de Jacob Boehme, o esoterismo e o Idealismo alemão, todos os três veios de caráter gnóstico.

"A renovação dos estudos antigos no Renascimento abrangeu também os estudo hebraicos, integrados no grande patrimônio cultural do ocidente. O hebraisante Reuchlin, professor de Tubingen e mestre de Melanchton, foi cativado pela Cabala, à qual ele consagrou diversas obras, em particular o De Are Cabbalistica (1517). Vai se firmando a idéia de que se pode elaborar uma Cabala cristã cujas interpretações tornam a ligar o Novo testamento ao Antigo, em benefício do Messias anunciado pelos Profetas. O iluminismo pietista recolhe esses ensinamentos que fazem parte do patrimônio secreto da confraria dos Rosa Cruz desde o século XVII, Esse saber atravessou os séculos até o momento em que ele se afirma com um vigor renovado no iluminismo romântico (Georges Gusdorf, Du Néant à Dieu dans le Savoir Romantique, Payot, Paris 1983, p.185)

Se a ligação do Romantismo com as doutrinas da Gnose e da Cabala são conhecidas, não conhecíamosnenhuma obra que fizesse um relacionamento explícito entre o Romantismo e a heresia do Modernismo, condenada por São Pio X, na encíclica Pascendi, em 1908. Agora, enquanto redigíamos este trabalho, foi publicada na Europa, uma excelente obra, tratando desse tema. Referimo-nos ao livro do Abbé Dominique Bourmand, Cent Ans de Modernisme – Généalogie du Concile Vatican II, Ed Clovis, Étampes, 2.003.

Finalmente, essa relação é exposta sistematicamente, o que facilita compreender como os católicos forampreparados para aceitar os erros modernistas pela mentalidade romântica, largamente difundida no clero e nos meios paroquiais.


O Romantismo estendeu sua influência a todas as esferas do pensamento, no século XIX, incluindo, evidentemente a Filosofia e a Política. Assim é que o Simbolismo, as doutrinas de Bergson e de Blondel -- sem esquecer a Psicanálise de Freud -- que tanto influíram no Modernismo, estavam empapadas de teses românticas. Neste artigo, queremos mostrar a ligação de alguns autores românticos com a Gnose do Modernismo. Foram estas doutrinas que acabaram triunfando no Concílio Vaticano II dando origem à crise atual da Igreja (Cfr. nosso trabalho Doutrinas Modernistas no Cancílio Vaticano II - Resposta ao Instituto Paulo VI de Brescia, www.montfort.org.br/cadernos/vaticano2b.html). Daí nosso interesse em focalizar este tema.