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sábado, 22 de dezembro de 2012

Yves Congar, um perito do Vaticano II

Recentemente adquiri o tão falado livro de Roberto di Mattei, O Concílio Vaticano II - uma história nunca escrita, onde o autor, segundo ele mesmo, procura ordenar, compreender e narrar os fatos  do último Concílio realizado pela Igreja. 

"O verdadeiro historiador não é, nem o investigador que desencanta novos documentos, nem o cronista que acumula documentos já conhecidos; é aquele que, com base na documentação, pública ou inédita, que tem a sua disposição, é capaz de a ordenar, de a compreender, de a narrar, enquadrando os factos numa filosofia da história que, para os historiador católico, é, antes de mais, uma teologia da história."

Roberto de Mattei




Assim, quando começo ler algum livro, e o livro permite, antecipo a leitura de fatos de pessoas que são significativas na história narrada. Desta vez, resolvi começar por Yves Congar, um dos chamados "peritos do Concílio".

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“Na Bélgica, junto a Tournai, surgia o convento dominicano de Le Saulchoir onde, a partir de 1932, foi "regente de estudos" o Padre Marie Dominiqye Chenu, que em 1937 publica um ensaio entitulado Une école de Théologie, Le Saulchoir, que pretendia ser um programa "metodológico" para a formação dos estudos dominicanos. Neste ensaio, Chenu criticava a teologia antimodernista em nome de um "Cristo da fé" que se conhece (como pretendiam os modernistas) no "Cristo da história".
[...]
O "manifesto" do dominicano francês foi colocado no Index com um decreto do Santo Ofício de 4 de fevereiro de 1942, juntamente com o "Essai sur le problème théologique" do seu confrade Louis Charlier, e ele foi destituido do cargo que ocupava. Os seus discípulos - entre os quais se contavam sacerdotes como o dominicano Yves Congar, dez anos mais novo que ele - por esta altura, estavam convencidos de que competia à geração a que pertenciam a tarefa de "recuperar e transferir para o patrimônio da Igreja todo e qualquer elemento de valor que pudesse emergir de uma abordagem ao modernismo". (pag 56)


E ainda:


"Em "Vraaie et fausse reforme", o Padre Yves Congar apresentava como "verdadeira" uma "reforma" da Igreja que viria a ser, mais do que uma reforma, uma autêntica revolução. É este teólogo dominicano que se deve uma das primeiras enunciações da fórmula do "primado pastoral", que introduzia uma distinção entre dogmas e a respectiva formulação, como se fosse possível alterar a expressão da doutrina sem lhe alterar o conteúdo. A reforma modernista da "fé sem dogmas" era agora substituída por uma formulação não dogmática da fé, que visava alterar a fé sem, aparentemente, tocar na doutrina. Congar cultivava "a virtualidade e as ambivalências originais do pensamento inovador", afirmando que "não existe pensamento vivo que não seja também perigoso", nem existem "germes activos nos quais não haja micróbios". E, como para matar micróbios seria também preciso matar os germes vivos, era necessário, em sua opinião, deixar prosperar uns e outros. A condenação dos erros por parte da Igreja, desde as heresias medievais até ao modernismo, tinha eliminado os elementos positivos neles presentes, A IGREJA TERIA FEITO MELHOR EM DEIXAR VIVER E DIFUNDIR ESTE ERROS." Congar propunha, pois, reformar a Igreja a partir de dentro, através de "uma reforma sem cisma"; "não é preciso construir outra Igreja; é preciso construir uma Igreja diversa", explica." (pag 88) 

Breve mais sobre. Deixo as conclusões para nossos prezados leitores.


Fonte: de Mattei, Roberto. O Concílio Vaticano II - uma história nunca escrita.