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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A favor e contra o Syllabus.

Tradução: Rafael Horta

Conferencia de Monsenhor Lefebvre por ocasião do retiro sacerdotal do mês de setembro de 1990 em Ecône.
Ela permanece sempre atual, pois ilustra bem a mudança radical que se operou na Igreja depois do Concilio.


O Vaticano II tomou o sentido contrário àquele que o Magistério tinha ensinado, notadamente no combate que tinha sustentado os papas do século XIX e do século XX até Pio XII contra os erros modernos.

Depois de ter se lembrado de uma conversa telefônica que tivera com o Cardeal Oddi que dizia para pedir “um pequeno perdão ao Papa” e ao que lhe respondeu: “É preciso que Roma mude. Isto não é uma questão de liturgia. É uma questão de fé.” Monsenhor Lefebvre afirma que o combate que nós vivemos hoje é sempre o mesmo. Há os “pro-Syllabus” e os que são contra.

Fideliter N° 87. Mai-Jun 1992
O problema permanece gravíssimo e não o podemos minimizar. É isso que precisamos responder a todos os leigos que vem nos perguntar se a crise vai acabar ou se não haverá um meio de ter uma autorização para nossa liturgia, nossos sacramentos...

Certamente que a questão da liturgia e dos sacramentos é muito importante, mas mais importante ainda é a questão da fé. Para nós esta questão está resolvida por que temos a fé de sempre, aquela do Concílio de Trento, do Catecismo de São Pio X, de todos os concílios e de todos os papas de antes do Concílio Vaticano II, em uma palavra, a Fé da Igreja.

Mas e Roma? A perseverança e a pertinácia das idéias falsas e de graves erros do Vaticano II continuam. Isso é claro.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Francisco I contra Pio XI


“Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?” (São João XVIII,23)




Por Geovanne Maria Moreira.

Prezados amigos,

Salve Maria!

Assistimos estarrecidos a visita do Papa Francisco ao Brasil, suas declarações midiáticas, controversas e divorciadas do catolicismo. A dita Jornada Mundial da Juventude, que todos nós sabemos ser um evento não-católico, só deixou desolação na Terra de Santa Cruz, aos católicos, e muita euforia e festa aos dissidentes do catolicismo.

Muito bem. A cada declaração de Francisco, dever-se-ia tapar os ouvidos e, quando não, os olhos. Não temos e nunca tivemos tempo de acompanhar cada frase do Bispo de Roma (sic!), entretanto, ouvimos, após dada entrevista no Programa Fantástico, na TV Rede Globo de Televisão em 28 de julho do ano corrente, o vídeo do Sumo Pontífice em que era entrevistado por um jornalista.

Foram feitas algumas perguntas à Francisco e, muito claudicante, responde algumas perguntas às evasivas: “Não sei”, “não conheço as causas” e etc...

Uma das perguntas que lhe fora dirigida é sobre o êxodo de católicos ao protestantismo, nos últimos anos. Francisco diz, sinceramente, não saber a causa do êxodo de católicos para o protestantismo. Ora! Esta causa é tão clara, tão evidente e tão elementar que qualquer um saberia responder, entretanto, o Sumo Pontífice (sic!) diz não saber a causa desta aberração.

Pois bem! Se o Papa não arriscou um palpite, lá vamos nós:

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O aborto e a CNBdoB.


"NÃO SOIS INOCENTES SE COM O SILÊNCIO PERMITIS A PERDIÇÃO DE QUEM, AVISADO, PODERIA SALVAR-SE." 
Santo Agostinho de Hipona


Prezados amigos,

Salve Maria!

É com muita tristeza que constatamos mais uma vez que a CNBdoB precisa, urgentemente, ser extinta deste Planeta.

É com muita tristeza que vemos o aborto ser legalizado e institucionalizado no nosso País e a CNBdoB aplaudindo o plano diabólico de extermínio de nossas crianças. É com muito pesar que assistimos a CNBdoB negar tudo o quanto Nosso Senhor prega nos Evangelhos e a violação direta do V Mandamento da Lei de Deus. Diante os nossos olhos, uma Instituição (CNBdoB) que não representa os Católicos deste País, que não representa o Evangelho de Nosso Senhor, que não representa os Legítimos sucessores dos apóstolos e que, por fim, não representa a Igreja Católica Apostólica Romana.

Eis os motivos da nossa justa indignação:

Primeiramente, é sabido e ressabido que o maldito PLC 03/2013 é um projeto que visa implantar e institucionalizar o aborto na Terra de Santa Cruz, e, diante deste projeto, a nossa amada, idolatrada, salve, salve, CNBdoB simplesmente havia se silenciado quanto ao famigerado projeto.

Acontece que, como se não bastasse o seu silêncio sepulcral (que, antes tivesse sido assim), esta semana, a CNBdoB lançou nota (nota esta que deveria ficar às escondidas, conforme a própria nota se faz depreender) comunicando “aos irmãos no “episcopado”(sic!)” que o maldito e diabólico PLC 03/2013 deve ser vetado pela Presidência da República apenas parcialmente.

Nos indigna em saber que a CNBdoB que, SUPOSTAMENTE, representaria os Católicos deste País, simplesmente não é católica em si mesma. Como que é possível que essa Instituição, que leva o nome de Católica e dá aos incautos uma certa credibilidade na fala, esteja contra as Escrituras, aos Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja, aos bons costumes e à vida, em si mesma? Alguém, em sã consciência, pode nos responder?

Acontece que, antes de se lançar na internet a dita nota (que, repetimos, deveria ficar às escondidas) o Padre Paulo Ricardo já tinha publicado em seu site uma matéria defendendo o VETO TOTAL do maldito projeto de lei. Logo, lançou-se na internet a tal nota da CNBdoB “orientando os irmãos do ‘episcopado’” que a Presidência da República deveria vetar parcialmente o PLC 03/2.013.

Com isso, novamente o Padre Paulo Ricardo produziu um vídeo explicando o porque do veto total do aludido PLC.

Ele termina com uma frase que dá um tapa de luva na CNBdoB que, GRAÇAS A DEUS, não representa esta Associação Cultural e seus associados: “Com todo respeito aos ‘nossos pastores, nós não podemos nos calar!”

Em tempo: Queremos ver o que o Papa Francisco dirá sobre toda esta questão do aborto no País. Em poucos dias saberemos a que veio na Terra de Santa Cruz. Queremos vê-lo denunciando toda esta bandalheira e reduzindo a pó esta CNBdoB que só faz vergonha nos católicos de boa-fé!

Em tempo1: Se Francisco se calar (que Deus não permita!), será mais cúmplice do aborto no Brasil do que a própria Presidência da República e o Congresso Nacional, visto que quem mais tem o dever de proteger a vida e os Católicos é ele que (não) se diz Chefe da Igreja de Cristo.

Veja o vídeo abaixo:







quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Rezemos SEMPRE pelo Santo Padre, Sua Santidade precisa SEMPRE de nossas orações


Sim, nós temos o Vigário de Cristo, o sucessor de Pedro, 

Sua Santidade Bento XVI, o Doce Cristo na Terra.

 

Ad Orientem

℣.Oremus pro Pontifice nostro Benedicto.
℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

℣. Tu es Petrus,
℟. Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.

Oremus. Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictum, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum. Amen.




"Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro do que a vós Me tem odiado a Mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas como não sois do mundo, antes vos escolhi Eu do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos das palavras que Eu vos disse: O servo não é maior do que seu senhor. Se Me perseguiram a Mim, também vos hão de perseguir a vós; se guardaram as Minhas palavras, também hão de guardar as vossas. Mas todas estas coisas vos farão por causa do Meu nome, porque não conhecem Aquele que Me enviou." (Evangelho segundo São João, 18-21)


Ó Jesus cabeça invisível da Santa Igreja,
que a fundastes sobre uma firme pedra,
e prometestes que as portas do Inferno não prevalecerão nunca contra ela:
conservai, fortificai e guiai
aquele que lhe destes por cabeça visível.
Fazei que ele seja o modelo do Vosso rebanho,
assim como é o seu pastor.
Seja ele o primeiro por sua santidade, doutrina e paciência,
assim como o é por sua dignidade;
seja ele o digno Vigário da Vossa Caridade,
assim como o é da Vossa Autoridade.
Inspirai-lhe um zelo ardente de vossa glória,
da salvação das almas e da santa religião.
Dai-lhe coragem invencível
para combater os inimigos de Vosso Santo Nome,
e uma firmeza inabalável, para se opor aos estragos
do erro e da impiedade.
Dai-lhe a plenitude do Vosso espírito,
para conduzir a barca agitada da Vossa Santa Igreja
através dos escolhos que a cercam.

Consolai o seu coração aflito, sustentai sua alma abatida,
fazei voltar as suas ovelhas desgarradas.
Ajudai-o a levar o peso de sua alta dignidade
e de todos os trabalhos que a acompanham.
Dignai-Vos, ó meu Deus, escutar benigno
os votos que Vos dirigimos por ele,
e concedei-lhe longos anos, para aumentar a vossa glória
e o triunfo da vossa Santa Religião.

V. Oremos pelo nosso Sumo Pontífice Bento XVI:


R. O Senhor o conserve, vivifique e beatifique na terra,
e não o entregue nas mãos dos seus inimigos. Amém.

Pai Nosso
Avé-Maria
Glória ao Pai

Jesus, Nosso Senhor, cobri com a protecção do Vosso Divino Coração
o nosso Santíssimo Padre Bento XVI e sede a sua luz, a sua força e o seu consolo.
Ámen.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Paulo VI explica porque não temos missa tridentina em Betim/MG



Papa Paulo VI
Reconheço que a diferença entre a liturgia de São Pio V, e a liturgia do Concílio (chamada freqüentemente, não sei por que, de liturgia de Paulo VI) é muito pequena. Na aparência, a diversidade [no ofertório das duas Missas] repousa numa sutileza. Mas essa missa dita de São Pio V, como se a vê em Ecône, se torna o símbolo da condenação do Concílio. Ora, jamais aceitaremos, em nenhuma circunstância, que se condene o Concílio por meio de um símbolo. [destaque nosso]. Se fosse acolhida essa exceção, o Concílio inteiro arriscaria de vacilar. E conseqüentemente a autoridade apostólica do Concílio”.

(Jean Guitton, Paulo VI Secreto, editora San Paolo, Milano, 4 a  edição, 2.002, versão integral do francês aos cuidados de David M. Turoldo e Francesco M. Geremia, pp. 143-144-145 – Título original Paul VI Secret, Desclée de Brouwer, Paris).

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dia de São Pio X

Hoje a Igreja celebra São Pio X, o último papa canonizado pela Igreja!

Padre Pio costumava dizer que São Pio X era o Papa mais simpático desde São Pedro. “Um verdadeiro santo”, dizia sempre, “a autêntica figura de Nosso Senhor”. Quando Pio X faleceu, Padre Pio chorou como um menino, dizendo: “Esta guerra levou a vítima mais inocente, mais pura e mais santa: o Papa”, pois corriam rumores que o Santo Padre havia oferecido sua vida para salvar seus filhos do flagelo da guerra.

Papa São Pio X, Rogai por nosso atual Santo Padre e também por nós!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Os destruidores da liturgia Católica

Padre Michel Boniface, FSSPX
(REVISTA SEMPER, no. 95, maio-junho de 2008)

 

O movimento litúrgico desviado

Começaram bem e terminaram mal: assim poderia ser resumida a tragédia de alguns monges que, desviando-se um pouco, fizeram naufragar todo o movimento litúrgico. Dom Lambert Beauduin[1], Dom Casel[2], Pius Parsh[3], Romano Guardini[4] etc., estes homens não foram a voz da Tradição Católica genuína. Quiseram usar a Liturgia de acordo com suas ideias pessoais e não transmitiram o que haviam recebido das mãos santas de Papas, bispos e sacerdotes que os precederam. Influenciados pelo espírito de seu tempo, quiseram fabricar Liturgias; menosprezaram o que haviam recebido e decidiram retirar da Liturgia tudo o que a Igreja havia feito durante dois mil anos, sem levar em conta que o Espírito Santo influenciou sobre o que fora transmitido. Padre Bonneterre disse que “o duplo pecado mortal do movimento litúrgico desviado é a busca de um arqueologismo desenfreado que se traduz no desprezo, não apenas da Liturgia barroca do Concílio de Trento, mas também da Liturgia da Idade Média. O que conta é a arqueologia dos primeiros séculos, que eles vão a ressuscitar artificialmente[5].


Dom Casel (1886-1948)
Alguém[6] dizia: “Dom Casel nos fez sair do beco sem saída das teorias pós-tridentinas do Sacrifício[7]. Isto significa que Dom Casel, monge alemão, destruiu toda a barreira que o Concílio de Trento havia levantado contra a heresia protestante, que nega a realidade do Sacrifício da Missa. Dom Casel e seus companheiros triunfaram, e suas ideias penetraram profundamente no Catolicismo através do Concílio Vaticano II e a Missa Nova fabricada por ideólogos[8].


Dom Lambert Beauduin (1873-1960)
Este sacerdote entra, em 1906, com a idade de 33 anos, na Abadia de Mont-César[9] (Bélgica), fundada pelos monges de Maredsous[10] em 1899. Rapidamente descobre na Liturgia, seguindo São Pio X, um maravilhoso meio de formar os fiéis na vida cristã. Durante alguns anos, trabalha muito bem. Infelizmente, Dom Lambert gradualmente se desvia do caminho reto e, finalmente, desvia os fins da Liturgia, insistindo mais sobre a pastoral litúrgica.
Após a Primeira Guerra Mundial, Dom Lambert torna-se um entusiasta propagandista do Ecumenismo, ou seja, a reunião de todos os cristãos; suas ideias continham graves erros e eram muito perigosas para os católicos. Antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), Dom Lambert já havia traçado o plano ecumênico que hoje destrói a Igreja Católica. “Nosso monge, rapidamente, sem confessá-lo, vai fazer passar suas concepções ao ‘Movimento Litúrgico’; vai trabalhar (seus sucessores ainda mais do que ele) para adaptar a nossa Liturgia católica romana às necessidades do apostolado, melhor ainda, às urgências da união das Igrejas”[11].


Em 1926, o diplomático Roncalli, futuro João XXIII, dizia que o método de seu amigo Dom Lambert era “o bom”. O Papa Pio XI e o Cardeal Merry del Val diziam o oposto. E por esta razão, em 1928, Pio XI publicou a Encíclica Mortalium animos, verdadeira carta do ecumenismo católico genuíno. Dom Lambert foi julgado duas vezes por sua atitude perigosa e foi afastado da Bélgica, seu País natal. Na França, lugar de seu desterro, trabalhou e semeou suas ideias revolucionárias nas mentes de muitos sacerdotes. Teve muita influência por ser um entusiasta de primeira.

Para os modernistas, o Movimento litúrgico desviado será uma arma para fazer da Liturgia, acima de tudo, um meio de apostolado; para fazer curvar a Liturgia às exigências do apostolado. De teocêntrica, a Liturgia será antropocêntrica. O homem estará no centro da Liturgia, e não mais Deus. Pior, após a condenação do Modernismo por parte de São Pio X, os modernistas, corruptores da Fé Católica, se aproveitam da Liturgia para continuar modificando a Igreja por dentro, e para conduzi-la ao caos atual (Para entender um pouco o problema, leia a Encíclica Pascendi[12] de São Pio X e a Humani Generis de Pio XII, que denunciam o Modernismo e a Nova Teologia).


Seu plano resume-se nisto:

1. Adaptar a Liturgia às necessidades do apostolado.
2. Urgência na união das Igrejas a todo custo.
3. Não dissociar o Ecumenismo da Liturgia, que inocula as ideias nas almas.


Em 1946, o Padre Duployé fazia esta confidência: “Tivemos contato com os representantes das diferentes Igrejas cristãs. Dom Beauduin sempre nos ensinou a não dissociar Ecumenismo e Liturgia”. O mesmo padre dizia que o Movimento litúrgico, na França, sob a influência de Dom Lambert, pôs em marcha uma gigantesca revolução que não mais domina. “Os riscos existem, e são temíveis”, confessa o padre Duployé. “Constituímos um posto avançado no clero francês. Não falamos a mesma linguagem da maioria dos párocos, e, se a maior parte do Episcopado segue nossos esforços com simpatia, cuja sinceridade não ponho em dúvida, [isso] pode muito bem coincidir com uma ignorância quase completa dos princípios que nos guiam... Entre este ponto avançado e a maioria do clero francês, devemos vigiar, segundo uma tática que tem sido muito bem realçada... para que não se criem intervalos... devemos saber calar e saber esperar. Publicamente, não podemos que apresentar ao clero o pão bem cozido. Desde o início dos nossos esforços, falamos de adaptação e evolução litúrgica. Às vezes me pergunto se não nos enganamos com estas palavras... Estamos sobre uma máquina lançada em alta velocidade. Somos, contudo, capazes de conduzi-la? Confesso-lhe, para terminar, meu cansaço e meus temores[13].

Isto foi revelado em 1968 por um discípulo de Dom Lambert. Os liturgistas modernos atuam como uma associação de iniciados: eles sabem o que querem, mas os outros recebem pão cozido, não sabem para onde os iniciados os conduzem.


 

A Santa Sé e o Movimento Litúrgico

Em 20 de novembro de 1947, Pio XII, através da Encíclica Mediator Dei, com discernimento e uma extraordinária habilidade, mantém tudo o que há de bom no Movimento Litúrgico, e condena veementemente os desvios. O Papa diz: “notamos, com muita apreensão, que há algumas pessoas muito ávidas de novidades e que se afastam do caminho da sã doutrina e da prudência (...), comprometem esta santíssima causa, e frequentemente até a contaminam de erros que atingem a Fé Católica e a doutrina ascética”[14].


O Papa condena as novidades temerárias

“(...) deve-se, todavia, reprovar severamente a temerária audácia daqueles que introduzem de propósito novos costumes litúrgicos ou fazem reviver ritos já caídos em desuso e que não concordam com as leis e as rubricas vigentes. (...) está fora do caminho quem quer restituir ao altar a antiga forma de mesa[15]. O Papa termina a encíclica colocando os Bispos em guarda contra a introdução de “uma falsa doutrina, que altera a própria noção da Fé” Católica[16]. Infelizmente, esta falaz doutrina produziu a nova Missa.

A tática dos modernistas é: organizar-se a nível nacional e internacional; produzir muitos temas que tratam de todas as questões litúrgicas; propagar suas ideias e apresentá-las aos Bispos favoráveis a eles; depois de ter convencido os Bispos, incentivá-los para que apresentem ao Vaticano essas ideias e desejos dos liturgistas modernistas como se fossem os desejos dos Bispos, dos sacerdotes e do povo católico. Eles também utilizam os documentos do Papa para uma finalidade contrária às intenções do Papa.

Em nível europeu, os revolucionários utilizaram a Mediator Dei para continuar a subversão litúrgica. Eles perderam o sentido católico primordial da Liturgia, e suas reformas fizeram-no perder aos católicos com a mudança da Liturgia a partir do Vaticano II.

Os dirigentes mais perigosos do movimento litúrgico eram apoiados e protegidos pelos mais altos dirigentes da Igreja. Como poderia o Papa Pio XII suspeitar que os peritos que os cardeais Bea e Lercaro tanto elogiaram eram, na verdade, os mais perigosos inimigos da Igreja? Assim que Pio XII morreu, Dom Lambert Beauduin disse a seus companheiros[17]: “Se elegerem Roncalli, tudo estará salvo: ele será capaz de convocar um concílio e consagrar o ecumenismo[18].

Em 1958, Roncalli foi eleito; e, como Papa João XXIII, abriu as portas da Igreja à revolução litúrgica e ecumênica, através do inoportuno e atípico Concílio Vaticano II; reabilitou também os teólogos modernistas – Yves Congar[19] e Karl Rahner[20] – condenados por Papa Pio XII; apoiou com todo seu poder de Papa a reforma da Liturgia; esta suposta reforma foi uma autêntica revolução luterana, que causou tantos escândalos, tantos sacrilégios[21] e tantas ruínas espirituais, morais e materiais na Igreja Católica.





 

Fonte: Ecce Christianus (espanhol) com adapt. nossas.
Tradução e algumas notas: Giulia d’Amore.

Para quem quiser saber mais sobre Congar e Rahner e seu companheiro Lubac, leia o texto do Pe. Dominique Bourmaud, FSSPX, aqui: Os Três Mosqueteiros Modernistas.


[1] Lambert Beauduin: (1873-1960) monge da Abadia beneditina de Mont-César na Lovaina (Bélgica), iniciou, em 1909, um movimento litúrgico pelo “renascimento” da Liturgia. Começa a planejar a fundação de um mosteiro pela unidade dos cristãos e, em 1924, por causa da carta Equidem Verba, que Pio XI endereça ao abade primário da Ordem beneditina para chamar sua atenção para a questão da unidade, resolve começar seu projeto. Funda, em 1926, a “Pela Unidade das Igrejas”, em Amay, sendo o primeiro prior. Em 1939, a comunidade muda para a Abadia beneditina de Chevetogne (Bélgica), mas Beauduin não é mais o prior: foi excluído da abadia em 1932 por seu caráter temperamental: recusava-se a aceitar a Encíclica Mortalium animos de Pio XI, o qual estava preocupado com o desenvolvimento do ecumenismo. A Abadia de Chevetogne é única em seu gênero e  foi colocada sob o signo do ecumenismo pelo próprio Beauduin, que construiu duas igrejas no local, uma de rito latino, dedicada a Jesus de Nazareth, e outra de rito bizantino, dedicada à Exaltação da Santa Cruz. A notoriedade do prior se desenvolve fortemente, graças aos contatos com personalidades de diversas Igrejas Cristãs (ortodoxa, anglicana, protestante), através da hospedagem de visitantes, a celebração litúrgica segundo as tradições bizantina e latina e, a partir de 1942, sobretudo pela organização de congressos teológicos. A comunidade de Chevetogne o fez aparecer como o pioneiro da unidade dos cristãos. Contribuiu com a evolução da atitude da Igreja Católica em prol do ecumenismo, que se tornará doutrina oficial do CVII, em 1962. Depois de mais de 20 anos de “exílio” (1959), é reintegrado à comunidade com o status de hóspede. A comunidade de Chevetogne tem fortes liames com a Comunhão Anglicana e as Igrejas derivadas da Reforma Protestante. Sobre a Equidem Verba: é um breve apostólico do Papa Pio XI, escrito por instigação de Mons. d´Herbigny, em 21 de março de 1924, no qual instruiu ao Abade Primaz da Confederação Beneditina, Fidelis von Stotzingen (1913-1947), para que fundasse uma congregação interritual de especialistas, por causa do apelo do monasticismo no Oriente. O Abade Fidelis não compreendia como o Papa pudesse apoiar um monge sanguíneo, de imaginação extremada, quase desprezador da Igreja Ocidental e muito inclinado às atividades ao ar livre, mas também não sabia da influência exercida sobre o Papa por Mons. d´Herbigny – Michel-Joseph Bourguignon d'Herbigny, 1880-1957, bispo jesuíta francês; em 1937, após o fracasso na sua missão de manter a Fé Católica na Rússia (comparada ao Cavalo de Troia), foi privados de seus poderes episcopais, sem que fossem divulgadas as razões (Yves Chiron, 2004, Pie XI: 1857-1939. p. 191) – e pelo Cardeal belga Mercier Désiré-Félicien-François-Josep Mercier, 1851-1926, Arcebispo de Bruxelas-Mechelen de 1906 até falecer, foi criado Cardeal em 1907 –, simpatizantes do unionismo, influenciados que estavam pelas Conferências de Malinas, centradas na figura do protestante Lord Halifax (Charles Lindley Wood, 2º Visconde de Halifax, 1839-1934, presidente da E.C.H. de 1868 a 1919 e de 1927 a 1934; é declarado pela Wikipédia inglesa como Anglo-católico), da English Church Union, que desejava uma aproximação com Roma. Dom Beauduin preparara para o Cardeal Mercier um informe sobre “a Igreja Anglicana unida, mas não absorvida”, onde revelava suas concepções mais do que duvidosas sobre o ecumenismo. Infelizmente, entre as consequências mais graves desse informe, houve a supressão das sedes episcopais católicas criadas no século XIX, com a demissão dos titulares (Cfr. Missa Tridentina em Portugal). (NdTª.)
[2] Otto Casel: era monge do mosteiro beneditino de Santa Maria Laach, em Eifel (Alemanha), com sua teoria do Kultmysterium (o mistério do culto cristão). Precursor reconhecido da Institutio Generalis do Novus Ordo Missae, Casel estava infectado pelo arqueologismo. (NdTª.)
[3] Pius Parsh: canônico agostiniano de Klosterneuburg (Alemanha), fundou o Movimento Bíblico-Litúrgico, que pretendia modificar a Eclesiologia. Para ele, a Palavra de Deus, considerada como a Revelação imediata de Deus no meio da Assembleia, modifica totalmente a concepção da Missa: Deus estará presente mais por sua Palavra que por sua Eucaristia. Os fieis “assistentes à Missa” se transformam em “Assembleia do Povo de Deus”: a reunião dos crentes no meio dos quais sopra o Espírito. Esta é a nova concepção da Liturgia, a nova concepção da Igreja no Movimento Bíblico-Litúrgico de Dom Parsch. (NdTª.)
[4] Romano Guardini: sacerdote, escritor e teólogo italiano, naturalizado alemão, que nasceu em 1885. Foi professor em Tubinga (1945-1948) e em Munique (1948-1962). Não participou do CVII por motivos de saúde, mas não deixou, por isso, de exercer sua nefasta influência na comissão litúrgica para a qual seria designado. É teólogo de referência para o Papa Bento XVI, segundo a Wikipédia. Foi exilado em Mooshausen, pelos nazistas, mas exercitava uma estranha e inexplicável “resistência passiva” ao Nazismo, atestada por seus escritos e vista, por seus fãs, como uma rejeição ao Nazismo (sic). Também na “teologia politica” se manteve na “via di mezzo” entre os católicos socialistas e os mais tradicionalistas, sendo repreendido por ambas as partes. Era um morno, pelo visto. Morreu em 1968. (NdTª.)
[5] Didier Bonneterre, El Movimiento Litúrgico, Buenos Aires, ed. Ictión, 1982, pág. 40.
[6] Teria sido o liturgista Wolfgang Waldstein, segundo Missa Tridentina em Portugal. (NdTª.)
[7] Bonneterre, El Movimiento pág. 40.
[8] Fraternidade Sacerdotal São Pio X, El problema de la reforma litúrgica, la misa de Pablo VI y de Vaticano II, estudio teológico y litúrgico, Buenos Aires, Ed. Fundación San Pío X, 2001.
[9] Abadia beneditina na Lovaina, região da Bélgica flamenga. (NdTª.)
[10] Abadia beneditina fundada no século XIX (15/11/1872) na Bélgica, na cidade de Anhée, pelos monges da Abadia de Beuron (Alemanhã). (NdTª.)
[11] Bonneterre, El Movimiento. pág. 37.
[12] Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907. (NdTª.)
[13] Padre Duployé, Les origines du Centre de pastorale liturgique, 1943-1949, ed Salvator, pág. 308, citado por el padre Bonneterre, El Movimiento, pág. 65.
[14] Mediator Dei, 7. (NdTª.)
[15] Mediator Dei, 52. (NdTª.)
[16] Mediator Dei, 188. (NdTª.)
[17] Aqui, refere-se ao Padre Bouyer (Cfr. L. Bouyer, Don Lambert Beauduin, a Man of the Church, Casterman, 1964, pp. 180-181; citado pelo Padre Dilder Bonneterre em The Liturgical Movement, Ed. Fideliter, 1980, p. 119). (NdTª.)
[18] “Se elegerem Roncalli papa tudo estará salvo, ele será capaz de convocar um concílio e consagrar o ecumenismo… temos nossa chance; os Cardeais, em sua maior parte, não sabem o que devem fazer. São capazes de votar por ele” (Sodalitium, n. 28, 1958, p. 20). (NdTª.)
[19] Yves Congar. Teólogo dominicano francês, nascido em 1904. Esteve preso de 1940 a 1945 nos campos de concentração de Golditz e Lübeck. Foi fundador e diretor da coleção Unam Sanctam, e professor de teologia na faculdade de Le Saulchoir. Foi um eclesiólogo, entusiasta do ecumenismo e da reforma da Igreja, precursor e consultor do Concílio Vaticano II e precursor da Nova Teologia. Foi criado Cardeal por João Paulo II em 30 de outubro de 1994, recebendo o barrete de cardeal em 8 de dezembro do mesmo ano. Faleceu em 1995, de uma grave doença neurológica. Congar esteve à frente de uma equipe numerosa de teólogos dominicanos franceses que mudaram a teologia católica ao longo dos últimos cinquenta anos, tais como Chenu, Liégé, Lelong, Cardonnel, Schillebeeckx etc. Em 1958 publica o texto Quod omnes tangit ab omnibus tractari et approbari debet no qual utiliza uma célebre locução, já usada em sentido teocrático por Papa Bonifácio VIII, para fundar a democracia na Igreja. Com Henri de Lubac e Karl Rahner, Congar esteve sob escrutínio teológico por suas ideias modernistas, no pontificado de Pio XII, o qual condenou a heresia da ‘Nova Teologia’ em setembro de 1946. Todos os três foram de algum modo disciplinados ou retirados de seus cargos e foram, então, miraculosamente reintegrados como periti conciliares às vésperas do CVII. Suas ideias e ensinamentos passaram a ser conhecidos com o nome genérico de “a Nova Teologia” e influenciaram os princípios do Magistério conciliar. Todos eles se tornaram peritos dos papas subsequentes, e muitas honras e louvores lhes foi tributados pela Igreja pós-conciliar. Congar era repetidamente exilado em Jerusalém, então chamado a Roma e Cambridge novamente, terminando o período pré-conciliar em Estrasburgo. De Roma, ele podia escrever com toda a impunidade: “O curso que ofereço atualmente, De Ecclesia, apesar do tom ingênuo, é minha resposta real; é minha dinamite real sob os assentos dos escribas! Aguardo e aproveito as ocasiões que surgem para expressar publicamente minha recusa às mentiras do sistema” (In Leprieur, Quand Rome Condamne, in One Hundred Years of Modernism - Angelus Press, 2006 -, p. 243). (NdTª.)
[20] Karl Rahner. Sacerdote jesuíta de origem germânica e teólogo, nascido em 1904. Foi aluno de Martin Heidegger em Friburgo e professor de teologia dogmática em Innsbruck de 1937 a 1964, ano que veio a suceder Romano Guardini na Faculdade de Filosofia da Universidade de Munique. Ele foi um dos protagonistas do “rinnovamento” da Igreja que levou ao CVII, para o qual foi chamado em 1963, por João XXIII, como um dos teólogos consultores (peritos), depois de ter participado de sua preparação. Tornou-se um personagem chave do Concílio, promovendo a nova visão de uma “Igreja de todo o mundo”, uma maior autonomia do Episcopado e a participação do leigo na Liturgia. Naqueles anos acendeu-se também seu interesse por temas como pacifismo, desarmamento nuclear, ajuda aos Países do Terceiro Mundo, e a luta contra a exploração dos povos oprimidos, com particular atenção aos movimentos da Teologia da Libertação. A Rahner se opôs o também teólogo suíço e amigo Hans Urs von Balthasar, que temia pela antropologização do Cristianismo. Rahner defendia um Cristianismo anônimo, com o qual superava as restrições da doutrina da salvação obtida exclusivamente pela plena comunhão com a Igreja Católica (Extra Ecclesiam nulla salus). Como todo modernista, deturpa a verdade ao afirmar que o Concílio Tridentino já ensinava a antiga doutrina (dos tempos de Santo Ambrósio) do “batismo de desejo”, segundo a qual qualquer um que, em seu autentico endereço moral, seja orientado positivamente para Deus é uma pessoa “justificada”, mesmo não tendo ainda recebido o batismo (Karl Rahner, La fatica di credere, Edizioni Paoline, 1986, p. 87). Ele, contudo, nega que a doutrina dos cristãos anônimos esteja em contraste com a pretensão do Cristianismo de ser a mais alta expressão da relação de graça entre o homem e Deus, ou que tal doutrina diminua a necessidade do batismo e da Fé cristã (Karl Rahner, La fatica di credere, op. cit. , p. 87). Embora não aceitasse o ateísmo como religião de Estado, via pontos em comum entre a ética cristã e o marxismo (Karl Rahner, La fatica di credere, op. cit. , p. 89), sobretudo em relação à Teologia da Libertação. O estigmatino italiano Cornelio Fabro (1911-1995) o acusou, com justiça, de ser um deformador sistemático, por se chocar ruidosamente com as teses tomistas da mesma forma que um homem surdo num concerto musical (Fabro, La Svolta Antroplogica de K. Rahner, textos escolhidos por Innocenti, Influssi Gnostici nella Chiesa d’Oggi, p. 48). Morreu em 1984. (NdTª.)
[21] Padre Enrico Zoffoli, La Comunión en la mano, Quito, Librería Espiritual, 1985, pág. 107.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Concílio Vaticano II em perguntas e respostas!

O CONCÍLO VATICANO II

Foto de abertura do Concílio Vaticano II


Quando aconteceu o Concílio Vaticano II?
O Vaticano II foi aberto pelo Papa João XXIII em 11 de outubro de 1962. João XXIII morreu no ano seguinte; mas seu sucessor, Paulo VI, continuou o Concílio e encerrou-o em 8 de dezembro de 1965.

O Concílio durou mais de três anos ininterruptos?
O Concílio Vaticano II compreendeu quatro sessões de menos de três meses, em cujo intervalo os bispos retornavam às suas dioceses. A primeira sessão (11 de outubro a 8 de dezembro de 1962) – a única que se deu no pontificado de João XXIII – não promulgou nenhum documento: dedicaram-se, sobretudo, a descartar o trabalho da Comissão Preparatória.

Qual é o lugar do Vaticano II entre os demais concílios?
O Vaticano II foi o 21° Concílio Ecumênico. Foi, quanto ao número de participantes, o mais importante de toda a História: dois mil bispos ali se reuniram.

Em que o Concílio Vaticano II difere dos Concílios anteriores?
O Concílio Vaticano II declarou não querer ser mais que um “Concílio Pastoral”, que não define as questões de Fé, mas dá diretivas pastorais para a vida da Igreja. Renunciou à definição de dogmas e assim, à infalibilidade que pertence a um Concílio. Seus documentos não são, portanto, infalíveis.

Quais são os objetos ordinários de um Concílio?
Na sua carta de convocação do primeiro Concílio do Vaticano, Pio IX indica que os Concílios Gerais foram convocados, sobretudo “nas épocas de grandes perturbações, quando calamidades de todo gênero se batiam sobre a Igreja e sobre os povos”. Todos os Concílios Ecumênicos do passado foram convocados para vir ao encalço de uma heresia (como foi o caso dos sete primeiros), ou para corrigir um mal então dominante (simonia, cisma, corrupção do clero, etc). Pio IX resume assim os principais fins de um Concílio:
“Decidir com prudência e sabedoria, tudo o que poderia contribuir para definir os dogmas da Fé; para condenar os erros que se espalham insidiosamente; para defender, colocar à luz, explicitar a Doutrina Católica; para conservar e reorganizar a disciplina eclesiástica; para corrigir os modos corrompidos da população.” (Bula de Convocação para o Concílio Vaticano I. AAS, 1868, vol IV, p.5.)

Nunca houve, então, outro Concílio “pastoral” antes do Vaticano II?
Todos os Concílios da Igreja foram pastorais. Mas o foram definindo os dogmas; desmascarando os erros; defendendo a Doutrina Católica; e lutando contra as desordens disciplinares e morais. A originalidade do Vaticano II foi a de querer ser “pastoral” de uma maneira nova, recusando-se a definir dogmas, a condenar erros, e mesmo a apresentar a Doutrina Católica de modo defensivo.

O Vaticano II não promulgou documentos dogmáticos?
O Vaticano II promulgou dezesseis textos: nove decretos, três declarações e quatro constituições. Dentre estas, duas são ditas “Constituições Dogmáticas”: Lumen Gentium (sobre a Igreja) e Dei Verbum (sobre a Revelação). Isso não significa que tenham proclamado dogmas ou que sejam infalíveis, mas apenas que tratam de uma matéria referente ao dogma. O Vaticano II se recusou a definir o que quer que seja de modo infalível; Paulo VI o sublinhou explicitamente em 12 de janeiro de 1966, algumas semanas após seu encerramento:
“Tendo em vista o caráter pastoral do Concílio, este evitou proclamar de modo extraordinário dogmas dotados da nota da infalibilidade.”

A “pastoralidade” do Vaticano II caracteriza-se pela adaptação da Igreja ao nosso tempo?
Todos os Concílios adaptaram a Igreja ao seu tempo. Mas o fizeram anatematizando os erros do dia; punindo os desvios morais ou disciplinares da época; armando a Igreja contra seus inimigos. A adaptação não visava a se conformar com o século, mas a melhor resistir-lhe. Não se tratava de agradar ao mundo, mas de confrontar e de o vencer, para agradar a Deus. João XXIII e Paulo VI procuraram, ao contrário, tornar a Igreja Católica sedutora para o homem moderno.

João XXIII e Paulo VI exprimiram essa intenção?
João XXIII declarou, em 14 de fevereiro de 1960:
“O fim primeiro e imediato do Concílio é o de apresentar ao mundo a Igreja de Deus, no seu perpétuo vigor de vida e de Verdade, e com sua legislação adaptada às circunstancias presentes, de modo a ser sempre mais conforme à sua divina missão e estar sempre mais pronta para as necessidades de hoje e de amanhã. Em seguida, se os irmãos que se separaram e que ainda estão divididos entre si virem se concretizar o comum desejo de unidade, poderemos lhes dizer então, com uma viva emoção: é a vossa casa; a casa daqueles de trazem o sinal de Cristo.” (João XXIII, discurso ao Conselho Geral da Ação Católica Italiana, em 14 de fevereiro de 1960).
O Cardeal Montini, futuro Paulo VI, declarava, em abril de 1962:
“A Igreja se propõe, pelo próximo Concílio, a entrar em contato com o mundo (...) Ela se esforçará para ser (...) amável em sua linguagem e na sua maneira de ser.”
E, durante o Concílio, Paulo VI afirmava, em sua encíclica Ecclesiam Suam:
“A Igreja poderia se propor a realçar os males que podem se encontrar no mundo, a pronunciar anátemas e suscitar cruzadas contra eles (...); parecem nos, ao contrário, que a relação da Igreja com o mundo (...) pode se exprimir melhor sob a forma de um diálogo” (§80).

O Vaticano II se quis, desde o início, portanto, como um Concílio de abertura e diálogo?
De fato, os membros da Comissão Preparatória estabelecida por João XXIII, pensavam dever organizar um Concílio normal. Tiveram um enorme trabalho para esboçar esquemas que pudessem servir de base aos debates conciliares. Mas, durante esse tempo, o Secretariado para Unidade dos Cristãos igualmente estabelecido por João XXIII (em junho de 1960), trabalhava em outro sentido. Finalmente, a verdadeira intenção de João XXIII prevaleceu: no início do Concílio, livraram se dos esquemas preparatórios, julgados demasiado “doutrinais”, e o Concílio se comprometeu com a via preparada pelo Secretariado de Unidade.

Como o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio?
Sobre a presidência do Cardeal Bea, o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio perguntando aos católicos o que esperavam da Igreja. Estabeleceu contatos com os ortodoxos, os protestantes, os judeus, os comunistas e os maçons, e comprometeu-se mesmo a que alguns de seus desiderata fossem satisfeitos.

Quais foram as exigências dos ortodoxos e dos comunistas?
Para contar com a presença de observadores ortodoxos no Concílio, João XXIII se comprometeu à não condenação do comunismo no Concílio. Monsenhor Roche, amigo e confidente do Cardeal Tisserant, testemunha: “O Cardeal Tisserant recebeu ordens formais tanto para negociar o acordo como para supervisionar sua exata execução durante o Concílio. Foi assim que, a cada vez queria abordar a questão do comunismo, o Cardeal, de sua mesa do Conselho da Presidência, intervinha”. (Itinéraires 285, p.157.)

Quais foram os pedidos dos judeus?
No número 1001 da Tribune Juive (1987), Lazare Landau conta:
“Numa noite brumosa e glacial de inverno de 1962-63, atendi a um convite extraordinário no Centro Comunitário da Paz, em Estrasburgo. Os dirigentes judeus recebiam, em segredo, no subsolo, um enviado do papa. Na saída do Shabat, éramos uma dezena para acolher um dominicano de vestimenta branca, o reverendo padre Yves Congar, encarregado pelo Cardeal Bea, em nome de João XXIII, de nos perguntar, no início do Concílio, o que esperávamos da Igreja Católica (...)”.
“Os judeus, mantidos há vinte séculos à margem da sociedade cristã, frequentemente tratados como subalternos, inimigos e deicidas, pediam sua completa reabilitação. Provindos, em linhagem direta, do tronco abrâmico, de onde saiu o Cristianismo, pediam para serem considerados como irmãos, parceiros de igual dignidade, da Igreja Cristã (...).”
“O mensageiro branco – despojado de qualquer símbolo ou ornamento – retornou a Roma, portador das inumeráveis solicitações que reforçavam as nossas. Depois de debates difíceis (...), o Concílio atendeu as nossas expectativas. A declaração Nostra Aetate n° 4 constituiu – Padre Congar e três redatores do texto me confirmaram – uma verdadeira revolução na doutrina na Igreja sobre os judeus (...)”.
“Homilias e catecismos mudariam em poucos anos (...). Desde a visita secreta do Padre Congar, num lugar escondido da sinagoga, durante uma noite muito fria de inverno, a doutrina da Igreja tinha conhecido uma total mutação.”

Quais foram os pedidos dos protestantes e dos maçons?
Em setembro de 1961, o Cardeal Bea encontrou, secretamente, em Milão, o Pastor Willem A. Visser’t Hooft, secretário-geral do Conselho Ecumênico de Igrejas (organismo de origem protestante, de tendência maçônica). A liberdade religiosa foi um dos temas mais importantes do encontro. Mas tarde, em 22 de julho de 1965, na véspera da última sessão conciliar, o mesmo Conselho Ecumênico de Igrejas publicou a lista de suas sete exigências fundamentais em matéria de liberdade religiosa. Todas foram satisfeitas pelo Concílio no documento Dignitatis Humanae.

Que conclusões se pode tirar dessa política de abertura levada a cabo pelo Concílio Vaticano II?
Percebe-se claramente que o Vaticano II não foi um Concílio como os demais. Os textos que promulgou, fruto de um “diálogo” com o mundo, são mais textos diplomáticos ou “publicitários” (destinados a dar uma boa imagem a Igreja) do que textos magisteriais (ensinando com autoridade e precisão Verdades de Fé). Nenhum dos textos conciliares é, de si, infalível.

Qual foi a influencia desse Concílio na Crise da Igreja?
As forças liberais e modernistas, que já minavam a Igreja, conseguiram colocar as mãos sobre o Concílio Vaticano II. Pode-se então dizer, que o Vaticano II foi a faísca que deflagrou uma crise que se preparava já de longa data na Igreja.
A quando podem-se remontar as origens dessa crise?
São Pio X já constatava na encíclica Pascendi, que o modernismo não era um inimigo exterior à Igreja, mas que havia penetrado no interior, apesar de seus adeptos ainda esconderem suas verdadeiras intenções.

O Papa São Pio X não combateu vigorosamente esses modernistas?
São Pio X combateu o modernismo energicamente. Seus sucessores até Pio XII fizeram o mesmo, com mais ou menos vigor; mas não conseguiram verdadeiramente vencê-los. A Encíclica Humani Generis, de Pio XII, condenando o que se chamou “Nova Teologia” (1950), foi aceita exteriormente; mas, nas realidade foi desprezada por muitos. Continuaram a se interessar nas teses condenadas e, nas casas de formação, encorajavam se os futuros padres a fazer o mesmo.

Pode-se dizer que o Vaticano II foi uma revolução na Igreja?
Que o Concílio foi uma revolução na Igreja, alguns de seus defensores clamam-no, eles mesmos. Assim, o Cardeal Suenens fez um paralelo entre o Concílio e a Revolução Francesa, dizendo que o Vaticano II havia sido o 1789 na Igreja. O Padre Yves Congar, teólogo conciliar, comparou o Concílio à Revolução bolchevique: “A Igreja fez pacificamente sua Revolução de Outubro.” (Yves Congar, O.P. Le Concile au jour Le jour. Deuxième session, Paris, 1964, p.215)

Como os liberais colocaram as mãos sobre o Concílio?
Graças ao apoio de João XXIII e de Paulo VI, as forças liberais e neomodernistas introduziram nos textos do Concílio, um grande número de ideias. Antes do Concílio, a Comissão Preparatória havia preparado com cuidado, esquemas que eram o eco da Fé da Igreja. É sobre esses esuqmas que a discussão e os votos deveriam ter sido feitos, mas eles foram rejeitados na primeira sessão do Concílio e substituídos por novos esquemas preparados pelos liberais.

Não houve no Concílio defensores da Doutrina tradicional?
Houve no Concílio um grupo de mais ou menos de 250 a 270 bispos decididos a defender a Tradição da Igreja. Acabaram por formar o Coetus Internatinalis Patrum. Mas contra ele, estava já constituído e perfeitamente organizado, um grupo de Cardeais e Bispos liberais, que se chamou Aliança do Reno.

De onde vem esse nome, Aliança do Reno?
O nome Aliança do Reno vem do fato de os dirigentes desse grupo liberal eram, quase todos, bispos de dioceses às margens do Rio Reno. A cada dia esse grupo inundou o Concílio com folhas datilografadas, nas quais se diziam aos bispos em que sentido deviam votar. É por isso que um jornalista, o padre Ralph Wiltgen, pôde intitular O Reno se Lança no Tibre, seu livro que contava a história do Concílio.

Os inovadores eram majoritários?
Como toda revolução, o Vaticano II não foi conduzido pela maioria, mas por uma minoria bem ativa e organizada. A maioria dos bispos estava indecisa e pronta para seguir os conservadores. Mas, quando viram que os dirigentes da Aliança do Reno eram amigos pessoais do papa e que alguns dentre estes (os Cardeais Dopfner, Lecaro e Suenens) tinham até sido nomeados moderadores do Concílio, eles os seguiram.

Os textos do Vaticano II, portanto, não são representativos do que pensava a maioria dos bispos na abertura do Concílio?
Um teólogo da ala progressista, Hans Kung, exprimiu um dia, sua alegria de que um sonho de uma pequena minoria se havia realizado no Concílio: “Nenhum daqueles que vieram aqui para o Concílio voltará para sua casa igual ao que era antes. Pessoalmente nunca teria esperado que os bispos falassem de modo tão ousado e tão explicito na aula conciliar.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 65)

Quem é esse teólogo Hans Kung?
Hans Kung manifestou, desde o Concílio, a que espírito se filia. Além da infalibilidade pontifícia e da Divindade de Cristo, esse eclesiástico nega a maior parte dos dogmas cristãos de tal maneira que mesmo a Roma conciliar teve que lhe retirar a autorização de lecionar.

Outros teólogos hereges exerceram influência no Vaticano II?
O jesuíta Karl Rahner (1904-1984), mesmo sendo mais prudente e menos explicito, espalhou teses análogas em suas obras. O Santo Ofício, desde 1949, impôs-lhe silencio sobre certas questões. Teve, no entanto, sobre o Concílio Vaticano II uma influência imensa; Ralph Wiltgen chega a dizer que foi o teólogo mais influente do Concílio:
“A posição dos bispos de língua alemã sendo regularmente adotada pela Aliança europeia (Aliança do Reno), e a posição da Aliança sendo, por sua vez, a mais frequentemente adotada pelo Concílio, bastava que um só teólogo fizesse suas visões serem adotadas pelos bispos de língua alemã para que o Concílio as fizessem suas. Ora, um tal teólogo existia: era o padre Karl Rahner.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 85)

Há outros testemunhos sobre a influência de Rahner no Concílio?
O padre Congar conta:
“O clima virou: Rahner dixit, ergo verum est [Rahner disse, então é verdade]. Dou um exemplo. A Comissão Doutrinal era formada pelos bispos, cada um tendo a seu lado seu próprio perito, mas também por alguns Superiores Gerais (como o dos Dominicanos ou dos Carmelitas). Ora, sobre a mesa da Comissão havia dois microfones; mas Rahner praticamente havia tomado um somente para si. Rahner era um pouco intrometido e muito frequentemente o Cardeal de Viena, Franz Konig, cujo perito era Rahner, virava-se em sua direção e dizia lhe para que falasse: Rahner, quid? Naturalmente, Rahner intervinha (...)”. (Yves Congar, em Trinta Dias, edição francesa, n° 3, 1993, pag.26)

Qual era o pensamento de Karl Rahner?
Karl Rahner era um revoltado contra o ensinamento tradicional da Igreja que, para ele, era só “monolitismo” e “teologia de escola.” Uma carta que escreveu em 22 de fevereiro de 1962, por ocasião da tradução italiana de seu Pequeno Dicionário Teológico esclarece-nos sobre seus sentimentos em relação ao Magistério da Igreja:
“(...) Uma tradução italiana é claramente um problema especial, em razão da presença, em Roma, de lideres e guardiães da ortodoxia. Por outro lado, estou cada vez mais fortificado em minhas posições. Também se poderia dizer que esse pequeno léxico está redigido de tal modo que essas pessoas não compreendam nada e não vejam, portanto o que está dito contra sua estreiteza.” (Herbert Vorgrimler. Karl Rahner verstehen, Friburgo, Herder, 1995, pag.175)

Karl Rahner manifestou, durante o Concílio, sua revolta contra a Tradição e o Magistério da Igreja?
Durante o Concílio, o Cardeal Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício, exprimiu um dia em seu discurso sua inquietação quanto a algumas inovações. Falava sem texto, por estar quase cego e ultrapassou seu tempo para falar. Então, o microfone simplesmente lhe foi cortado. Rahner comentou o acontecimento em uma carta escrita a Vorgrimler, em 5 de novembro de 1962:
“Você já deve ter sabido que Alfrink, de novo, simplesmente cortou a palavra a Ottaviani, por que ele falava por muito tempo. Começou-se a aplaudir (o que não é habitual). Moral: A alegria sádica é a alegria mais pura.” (Deutsche Tagespost, 10 de outubro de 1992).

Encontra-se na correspondência de Karl Rahner, outros elementos sobre seus sentimentos sobre o Concílio?
A publicação, em 1994, da correspondência trocada entre o padre Karl Rahner e a poetisa austríaca Luise Rinser (1911-2002) fez estourar o escândalo: no momento mesmo em que mandava chover e fazer bom tempo no Concílio, Karl Rahner estava em correspondência amorosa com essa mulher, escrevendo-lhe, em sua paixão, até três cartas por dia (276 somente no ano de 1964).

Outros maus teólogos influenciaram o Vaticano II?
Pode-se citar, entre outros, os Padres Congar e De Lubac, já apresentados anteriormente, o padre Schillebeeckx, o padre John Courtney-Murray, etc.

Qual foi a influencia do padre Congar no Concílio?
Monsenhor Lefebvre conta:
“No início do Vaticano II, eu ia às as reuniões [dos bispos franceses] em Saint Louis-des-Français. Mas ficava estupefato de ver como aquilo acontecia. Os bispos se comportavam literalmente como garotinhos diante dos Congar e outros peritos que gritavam em torno. O padre Congar subia à mesa da presidência e, sem o menor pudor, dizia: ‘Monsenhor Fulano, o senhor fará tal intervenção sobre tal assunto. Não tenha nenhuma preocupação. Nós lhe prepararemos o texto e o senhor só terá que ler.’ Não podia crer no que meus olhos viam, nem no que meus ouvidos ouviam! E parei de ir a essas reuniões (...)” (Monsenhor Marcel Lefebvre, Fideliter n°59, pag,53).

Há outros testemunhos sobre a influencia do padre Congar?
Monsenhor Desmazières, Bispo-auxiliar de Bordeaux, conta:
“(...) De tarde os trabalhos continuavam. Eu ia ao meu dirigido pelo padre Congar, sobre a Escritura e a Tradição. Éramos uma dúzia. A nós cabia prever as intervenções a serem feitas no dia seguinte (...). pediram-me para tomar a segunda. Não me recusei, mas com a condição do padre Congar preparasse meu texto. Estava de acordo. Ele mo passará amanhã no ônibus (...) Tomei conhecimento do texto no trajeto; não estava decidido mudar o que quer que fosse. Desembarcando em São Pedro, inscrevi-me para falar: era o vigésimo primeiro (...)” (Monsenhor Desmazières. L’Aquitaine, semaine religieuse de Bordeaux, dezembro de 1962, pag.580).

O que disso dizia o padre Congar?
O padre congar, normamente, minimizava sua influencia no Concílio. No entanto, assim resumiu sua ação: “A preparação do Concílio havia estado sob a dominação dos homens da Cúria e do Santo Ofício (...) Tudo consistiu praticamente, em os colocar em minoria.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.140). Era para ele uma vitória. Dez anos antes, punido por seus Superiores, anotava em seu diário pessoal as seguintes resoluções:
“Continuar ao máximo a escrever no mesmo sentido, utilizando todas as chances de liberdade. Aí está, sobretudo, meu combate. Eu sei (e ‘eles’ sabem!) que, em maior ou menor escala, tudo o que digo e escrevo é a negação do sistema. Sim, ai está meu verdadeiro combate: em meu trabalho teológico, histórico, eclesiológico e pastoral. O curso que eu componho nesse momento, de Ecclesia, exatamente como não se tratasse de nada, uma verdadeira resposta; é minha verdadeira dinamite sobre a cadeira dos escribas.” (Yves Congar O.P., notas manuscritas de fevereiro de 1954, citadas por François Leprieur O.P. Quand Rome condamne, Paris, Plont/Cerf, 1989, pag.259).
Depois do Concílio, declarou:
“O Concílio liquidou o que eu chamava incondicionalismo do sistema. Entendendo por sistema todo um conjunto muito coerente de ideias comunicadas pelo ensinamento das Universidades romanas, codificas pelo Direito Canonico, protegidas por uma supervisão escrita e bem eficaz sob Pio XII, com resumos, apelos à ordem, submissão dos escritos a censuras romanas e etc. Pelo fato do Concílio, o sistema foi desintegrado.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.220).

Quem é o padre Courtney-Murray?
O padre John Courtney-Murray, jesuíta Americano (1904-1967), havia sido condenado em 1955 pelo Santo Ofício, por causa do seu estudo The Problem of Religions Freedom (O Problema da Liberdade Religiosa). Foi, no entanto convidado, como perito, ao Concílio Vaticano II, apartir de 1963. Durante os debates sobre a liberdade religiosa propunha-se aos bispos que redigissem suas intervenções, e assim ele exerceu uma influencia considerável. No fim de sua vida, tentou demonstrar que o ensinamento da Igreja sobre a contracepção podia evoluir, como havia evoluído o ensinamento sobre a liberdade religiosa.

O que se pode concluir disso tudo?
Que homens tais como Kung, Rahner, Congar, Lubac, Courtney-Murray etc., tenham exercido uma influencia sobre o Concílio não advoga em seu favor, nem a favor de suas reformas. Infelizmente, algumas declarações do Papa João Paulo II também não lhe trazem vantagem. Tal como está, que fez em 1963 (quando era um simples bispo):
“Jamais um Concílio conheceu tamanha preparação, jamais se sondou de maneira de maneira tão ampla a opinião católica. Não somente os bispos, as universidades católicas e os superiores gerais das congregações exprimiram suas opiniões sobre os problemas conciliares; mas também uma grande porcentagem de católicos leigos e mesmo de não católicos. Teólogos tão eminetes quanto Henri de Lubac, Jean Daniélou, Yves Congar, Hans Kung, R.Lombarde, Karl Rahner e outros tiveram um papel extraordinário nesses trabalhos preparatórios.” (Citado por M.Malinski, Mona mi Karol Wojtyla, Paris, Le Centurion, 1980, p.189).

Todos os textos do Vaticano II devem ser rejeitados?
Pode-se dividir os textos do Concílio Vaticano II em três grupos:
1)    Alguns poderiam ser aceitos pois estão conformes à Doutrina Católica, como, por exemplo, o Decreto sobre a Formação dos Padre;
2)    Outros são equívocos, isto é, podem ser compreendidos corretamente, mas também podem ser interpretados em sentido errôneo;
3)    Alguns, em fim, não podem ser compreendidos no sentido ortodoxo; na sua atual formulação, não podem ser aceitos. É o caso da Declaração sobre a Liberdade Religiosa.

Os Textos ambíguos podem ser aceitos se forem – segundo a expressão de Monsenhor Lefebvre – interpretados à Luz da Tradição.
Os textos do terceiro grupo não podem ser aceitos antes de terem sido retificados.

De onde vem o caráter ambíguo de alguns textos do Vaticano II?
Os equívocos introduzidos voluntariamente nos textos conciliares para enganar os padres conservadores. Enchia-se-lhes de ilusões, insistindo sobre o fato de que o texto não queria, no fundo, dizer nada diferente do que a Igreja sempre havia ensinado. Mas, na sequencia, foi possível apoiar-se sobre estas passagens para defender teses heterodoxas.

Há provas de que essas ambiguidades foram introduzidas voluntariamente?
Karl Rahner e Herbert Vorgrimler confirmam isso quando escrevem, por exemplo, que se “deixou aberto um certo numero de questões teológicas importantes, sobre as quais não se chegaria a acordo, escolhendo-se formulações que poderiam no Concílio ser interpretadas diferentemente por grupos e tendências teológicas particulares.” (K.Rahner e H.Vorgrimler, Kleines Konzilskompendium. Samtliche Texte dês Zweten Vatikanumes, Fribourg, Herder, 1986, pag.21)

Como se podia se justificar uma tal imprecisão nos textos conciliares?
Essa ambiguidade deliberada era explicada pelo fato de o Concílio Vaticano II querer ser apenas um Concílio “Pastoral”, por isso não seria mais necessário que se exprimisse com toda a clareza teológica requerida para um Concílio dogmático.

Pode-se se citar exemplos dessas ambiguidades calculadas?
Um exemplo dessa ambiguidade é dado pela famosa expressão “subsistit in”, introduzida na Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja (I,8). Declarou-se ali que a Igreja de Cristo “subsiste na” Igreja Católica.

Qual é o ensinamento tradicional sobre esse assunto?
O ensinamento tradicional, diz, expressamente, que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica. Essa palavra “est” se acha ainda nos primeiros projetos dessa Constituição sobre a Igreja. A palavra foi, em seguida, substituída pela expressão “subsistit in”.  É evidente que essa mudança não foi feita sem motivo.

Por que a palavra “est” é aqui tão importante?
A Igreja Católica não é somente uma certa realização da Igreja de Cristo: Ela é a Igreja de Cristo. Isso significa que há uma identidade absoluta entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica. As outras comunidades eclesiais não pertencem de modo nenhum à Igreja de Cristo. Ora, a expressão “subsistit in” introduz uma ambiguidade justamente nesse ponto.

A Congregação para a Doutrina da Fé não deu a interpretação correta desse “subsistit in” nos seus documentos de 2000 (Dominus Jesus) e de julho de 2007?
A Congregação para a Doutrina da Fé rejeitou a interpretação modernista mais extremista da expressão: aquela segundo a qual a Igreja Católica seria apenas uma realização, dentre outras, da Igreja de Cristo. A formula “subsistit in” permite com efeito, sustentar que haveria, fora da Igreja Católica, “verdadeiras realidades eclesiais”.

Sabe-se quem está na origem dessa expressão”subsisitit in”?
O pastor protestante Wilhelm Schmidt reivindicou a paternidade dessa nova expressão. Eis seu testemunho:
Era, então, pastor da igreja da Santa Cruz, em Bremen-Horn, e durante a terceira e quarta sessões, observador no Concílio, como representante da Fraternidade Evangélica Michael, a convite do Bea. Propus, por escrito, a formulação “subsistit in” àquele que era, então, o conselheiro teológico do Cardeal Frings: Joseph Ratzinger, que a transmitiu ao Cardeal.” (Pastor Wilhelm Schimidt [não confundir etnólogo homônimo], carta de 3 de abril de 2000 ao autor deste Catecismo. O Pastor Schimidt diz em sua carta: ‘Nada tenho a objetar à publicação desta informação.’”

O Vaticano II não foi infalível enquanto órgão do Magistério Ordinário?
Alguns pretendem que mesmo que o Vaticano II não tenha produzido atos de Magistério Ordinário, a infalibilidade pertencer-lhe-ia enquanto órgão do Magistério Ordinário Universal, por que quase todos os bispos do mundo nele se fizeram presentes. Alem disso – dizem – o ecumenismo e a liberdade religiosa são ensinado hoje pelos bispos do mundo inteiro, o que equivaleria ao exercício do Magistério Ordinário Universal, que é infalível.
Porém essa argumentação está viciada. O Vaticano II, Concílio “Pastoral”, recusou-se a comprometer sua autoridade para definir o que quer que fosse; não impôs a liberdade religiosa e o ecumenismo como Verdades de Fé, por isso encapando ao Magistério Extraordinário. Mas, de uma cajadada só, escapou também do Magistério Ordinário Infalível. Pois não pode haver infalibilidade se os bispos não certificam, com autoridade, que o ensinamento que dispensam pertencem ao Depósito de Fé (ou é-lhe necessariamente ligado) e que deve ser dito como imutável e obrigatório.

Alguns ensinamentos do Vaticano II não são apresentados como “fundados na Revelação”, “conformes à Revelação”, “transmitidos pela Igreja” ou “decretados no Espírito Santo”?
Essas são formas piedosas mas muito insuficientes para assegurar a infalibilidade. Seria preciso impor, com autoridade, esse ensinamento como ligado necessariamente à Revelação Divina, imutável, obrigatório. Ora, a liberdade religiosa e o ecumenismo são novidades contrárias ao ensinamento anterior ao da Igreja. De fato, os bispos não os impõe de forma firme e precisa como Verdades Imutáveis. Não comprometeram formalmente, para os propungnar, sua autoridade de guardiães do Depósito revelado aos Apóstolos; porém as propuseram de modo liberal (“pastora”) como fruto de um diálogo com o mundo modernos e como reflexo do que criam os cristãos de hoje. Isso basta para excluir a infalibilidade. (Ver sobre esse assunto os argumentos desenvolvidos pelo padre Calderon em A Candeia Debaixo do Alqueire, Rio de Janeiro, Ed. Sétimo Selo, 2009).

Não se pode, pois, invocar o Magistério Ordinário Universal , no que concerne ao ecumenismo e à  liberdade religiosa?
Não se pode invocar o Magistério Ordinário Universal em favor do ecumenismo e da liberdade religiosa; porém, se poderia, a bom direito, afirmar que são as condenações trazidas no curso dos dois últimos séculos contra a liberdade religiosa e o ecumenismo que são infalíveis em razão do Magistério Ordinário.

As autoridades atuais da Igreja reconhecem a não infalibilidade do Vaticano II?
O Vaticano II não foi infalível, foi o que afirmou expressamente o Cardeal Ratzinger em 1988, dizendo:
“A verdade é que o Concílio ele mesmo, não definiu nenhum dogma e procurou se situar num nível mais modesto, simplesmente como um Concílio pastoral. Apesar disso, numerosos são aqueles que o interpretam como se se tratasse de um ‘superdogma’ que sozinho tem a importância.” (Alocução do Cardeal Ratzinger diante da Conferencia Episcopal Chilena, em 13 de julho de 1988 [Intinéraites 330, fevereiro, 1989, pag.4).

Por que as autoridades atuais se apegam tanto ao Vaticano II, já que reconhecem que ele não é infalível?
De fato, o Vaticano II é, desde a origem, objeto de um jogo desonesto. Durante o Concílio, insistiu-se sobre seu caráter pastoral para evitar se exprimir com precisão teológica; mas, depois, deseja-se lhe dar uma autoridade igual ou mesmo superior àquela dos Concílios anteriores. Esse jogo desonesto foi denunciado por um dos participantes do Concílio, Monsenhor Lefebvre, a partir de 1976:
“É indispensável desmitificar esse Concílio que eles desejam pastoral em razão de seu horror instintivo ao dogma, e para facilitar a introdução oficial das ideias liberais dentro de um texto da Igreja. Contudo, operação terminada, dogmatizam o Concílio, comparam-no ao de Nicéia, pretendem-no semelhante aos outros, senão superior!” (Mons. Marcel Lefebvre, J’acuse Le Concile!, Matigny (Suiça), Editions Saint-Gabriel, 1976, pag.9)

Fonte: Catecismo da Crise na Igreja. Pe. Matthias Gaudron, FSSPX – Editora Permanência.
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